Quando a mulher precisa ser mãe e pai: o peso de ocupar dois lugares

Existem mulheres que não escolheram criar os filhos sozinhas. A vida simplesmente as colocou diante dessa realidade. Separações, abandono, ausência, falecimento ou a falta de responsabilidade do pai podem fazer com que uma mãe precise assumir, além da maternidade, responsabilidades que tradicionalmente seriam compartilhadas com a figura paterna. Um tema complicado de se falar!

É preciso reconhecer a grandeza dessas mulheres sem romantizar a sobrecarga: uma mãe pode fazer o possível, o necessário e até o impossível por um filho, mas isso não significa que ela precise fingir que não existe uma ausência.

Ser mãe e pai ao mesmo tempo é uma expressão muito utilizada, principalmente quando uma mulher sustenta a casa, educa, protege, estabelece limites, acolhe, toma decisões e enfrenta sozinha os desafios da criação. Mas existe uma diferença importante: a mãe não substitui o pai, assim como o pai não substitui a mãe.

Cada relação tem sua singularidade. Uma mulher pode exercer funções que seriam compartilhadas com o pai, mas não precisa carregar a responsabilidade de representar sozinha todas as referências que uma criança necessita para construir sua identidade, seus vínculos e sua percepção sobre o mundo.

Quando a figura paterna está ausente, é importante que a criança não seja colocada no lugar de preencher essa ausência, nem seja levada a acreditar que não existe diferença entre os papéis simplesmente porque a mãe consegue fazer muitas coisas. Dependendo da realidade familiar, pode ser saudável apresentar à criança outras referências masculinas positivas e presentes  um avô, tio, padrinho, professor, treinador ou outro adulto de confiança  que possam oferecer convivência, cuidado, respeito, limites e bons exemplos. Não se trata de “arrumar um substituto para o pai”, mas de permitir que a criança tenha contato com diferentes formas saudáveis de masculinidade.

Fonte: https://www.paticruzfotografia.com.br/trabalhos-recentes/ensaio-mae-e-filho-no-cais-embarcadero

E talvez esse seja um dos maiores desafios para essa mãe: compreender que reconhecer a ausência do pai não significa diminuir o próprio valor. Pelo contrário. É possível dizer à criança, com maturidade e sem alimentar ressentimentos, que determinada pessoa não está presente, mas que isso não significa que ela esteja condenada a crescer sem referências de amor, responsabilidade e caráter. A criança não precisa de uma mãe que tente ser tudo; precisa de adultos emocionalmente disponíveis que contribuam para sua formação.

Também é preciso falar sobre a mulher que, por necessidade, se acostuma a não precisar de ninguém. Ela aprende a resolver, pagar, trabalhar, educar, proteger e seguir em frente. Torna-se forte porque precisava ser forte. Mas existe uma diferença entre ser forte e acreditar que deve carregar o mundo inteiro nos ombros.

Permitir que outras pessoas participem da educação e da formação dos filhos não diminui sua maternidade. Ao contrário: ensina à criança que relações saudáveis também são construídas por meio de presença, colaboração, respeito e responsabilidade.

No fim, uma mãe não precisa ser pai para provar que é uma boa mãe. Ela precisa ser mãe por inteira, presente e amorosa e permitir que seu filho encontre, na vida, referências masculinas saudáveis que complementem sua história. Porque criar um filho sozinha pode ser uma realidade, mas nunca deveria significar que ela precisa carregar sozinha o mundo inteiro. Eu acredito nisso, e você?

Fonte: https://www.vitrinemadri.com.br/blog/frases-legenda-mae-filhos?srsltid=AfmBOorsyoJyDx7A0BNzVXfhH0DPG8ivSbY1rKcOv9pJgR4jyS_BY3JR

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