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No segundo mandato, o presidente Donald Trump voltou a colocar a imigração irregular no centro de sua estratégia política. Com promessas de deportar “milhões e milhões” de imigrantes, o governo intensificou as operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), ampliando as ações de fiscalização em diversas regiões dos Estados Unidos. No entanto, os números ainda estão longe de acompanhar a retórica adotada pela Casa Branca.
De acordo com dados fornecidos pela assessoria de imprensa da Bicalho Consultoria Legal, com base em números oficiais do ICE, o mês de abril registrou a deportação de pouco mais de 17.200 pessoas — o maior número mensal de 2025 até o momento e um crescimento de 29% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar do aumento, o volume está aquém do necessário para atingir as metas declaradas pelo governo. O recorde histórico de deportações, que beirou 430 mil em um único ano, permanece distante.
Nos primeiros meses de 2025, o ritmo de deportações esteve inclusive abaixo do registrado na gestão anterior. Com a diminuição na entrada de imigrantes pela fronteira sul, o foco do governo tem se voltado para ações internas, especialmente em áreas urbanas, escolas, empresas e centros comunitários.
Embora os dados não sustentem a ideia de uma “onda” de deportações em massa, a retórica adotada pelo presidente tem causado impacto direto no comportamento das comunidades imigrantes. A busca por orientação jurídica, por exemplo, aumentou consideravelmente.
Segundo o advogado Vinicius Bicalho, professor e membro da American Immigration Lawyers Association (AILA), a percepção de ameaça é alimentada pela narrativa oficial, ainda que os números não justifiquem o alarde. “Mesmo deportando menos do que se imagina, o discurso de Trump gera medo. As pessoas não consultam os dados — elas reagem ao tom, às falas diárias”, afirma.
À frente da Bicalho Consultoria Legal, Bicalho relata um aumento expressivo na procura por atendimento. “Só no primeiro semestre de 2025, atendemos mais de quatro mil pessoas. Em muitos dias, os telefones não param. Basta uma nova declaração do presidente ou uma operação localizada do ICE para acender o alerta. A comunidade vive em estado de tensão permanente”, relatou a assessoria da consultoria.
Analistas e veículos da imprensa norte-americana têm destacado que a atual política migratória do governo se mostra, até aqui, mais simbólica do que efetiva. A construção de novos centros de detenção e o endurecimento contínuo do discurso são vistos como mecanismos para reforçar a imagem de autoridade, mas não têm resultado em números expressivos.
“Há uma diferença clara entre endurecer o discurso e alcançar resultados reais. Até agora, o que temos visto é muito mais barulho político do que ações consistentes”, avalia Bicalho, com base nas análises jurídicas e nos relatórios disponíveis.
Enquanto a promessa de deportações em massa continua sendo repetida em discursos oficiais, os dados indicam que, por ora, o efeito mais visível é o clima de medo instalado nas comunidades imigrantes — um reflexo direto da retórica adotada no alto escalão do governo federal.

