Brasil lidera cúpula do BRICS com foco em governança global, clima e moedas locais

Foto: Reprodução | Money Times

O Brasil assumiu em janeiro de 2025 a presidência rotativa do BRICS, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que agora inclui também países como Egito, Irã, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e, mais recentemente, a Indonésia. A liderança brasileira ocorre em um momento estratégico, marcado pela expansão do bloco e pelo aumento das discussões sobre multipolaridade, desdolarização e reformas nas instituições internacionais.

A 17ª Cúpula do BRICS acontece nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro. O encontro deve reunir chefes de Estado e lideranças dos países-membros com o objetivo de reforçar a cooperação entre nações do Sul Global. Segundo reportagem da Agência Brasil, o lema adotado pela presidência brasileira é “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global por uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”.

Entre as principais prioridades do Brasil à frente do bloco está a promoção do uso de moedas locais nas transações comerciais entre os países do BRICS. A proposta visa reduzir a dependência do dólar e fortalecer os sistemas financeiros regionais. Ainda segundo a Agência Brasil, o governo brasileiro descartou, neste momento, a criação de uma moeda comum, preferindo focar na integração dos sistemas de pagamento já existentes, como o Pix, que vem sendo estudado como base para um modelo de transações entre os membros.

Outro eixo central da presidência brasileira é a reforma de organismos multilaterais como a ONU, o FMI e a OMC. Segundo reportagem do Brasil de Fato, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu que o BRICS atue com mais firmeza em favor de um sistema internacional mais equitativo, com maior representatividade dos países em desenvolvimento nas decisões globais. Durante a reunião preparatória dos chanceleres em abril, também no Rio, o governo brasileiro reforçou o papel do bloco na busca por soluções pacíficas para conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia e a crise humanitária em Gaza.

O Brasil também está promovendo, dentro do BRICS, uma agenda de inovação tecnológica com destaque para a governança da inteligência artificial. Segundo reportagem da revista Veja, o governo quer liderar a formulação de diretrizes éticas e inclusivas para o uso da IA, com foco nos desafios específicos dos países do Sul Global. Além disso, o tema da saúde tem ganhado espaço na agenda do bloco, com o Brasil propondo ampliar a cooperação em políticas de combate a doenças negligenciadas e fortalecimento dos sistemas públicos de saúde.

No campo ambiental, o Brasil tem articulado a conexão entre a presidência do BRICS e os preparativos para a COP30, que será realizada em 2025 em Belém (PA). A proposta é criar uma “Agenda de Liderança Climática” dentro do BRICS, voltada à transição energética, proteção da biodiversidade e financiamento climático. Segundo reportagem da Agência Brasil, o governo brasileiro busca posicionar o bloco como ator relevante na diplomacia ambiental global.

O Novo Banco de Desenvolvimento, criado pelo BRICS em 2014, também será fortalecido durante a presidência brasileira. Sob a liderança da ex-presidente Dilma Rousseff, o banco tem ampliado o financiamento em moeda local e busca novos projetos de infraestrutura sustentável nos países-membros. Segundo reportagem do jornal O Globo, o banco está entrando em uma nova fase, com foco em parcerias público-privadas e ampliação de sua atuação em países em desenvolvimento fora do bloco.

A presidência do Brasil no BRICS ocorre em um cenário de tensões internacionais crescentes, especialmente em relação à postura dos Estados Unidos sobre comércio e desdolarização. Segundo reportagem da Reuters, o governo americano tem demonstrado preocupação com o avanço de alternativas ao dólar no comércio internacional, especialmente diante do fortalecimento da China e da Rússia dentro do bloco.

A Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro representa um teste importante para a capacidade do Brasil de liderar agendas estratégicas e costurar consensos entre países com perfis tão distintos. Com temas como clima, comércio, tecnologia e governança global na mesa, o encontro pode consolidar o BRICS como um dos principais polos de articulação política e econômica do século XXI.

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