A derrota de ontem, quando o Brasil perdeu para a Noruega na Copa do Mundo, deixou muitos corações apertados. Em dias assim, percebemos como o futebol desperta sonhos, expectativas e um sentimento coletivo de pertencimento. Torcemos, vibramos e acreditamos juntos por isso, quando o resultado não vem, a frustração também é compartilhada.
Para as crianças, esses momentos podem ser uma grande oportunidade de aprendizado. Como pais, podemos acolher a tristeza sem diminuí-la, dizendo que é normal ficar chateado quando algo em que acreditamos não acontece como esperávamos. Não é preciso esconder a decepção, mas ensinar que ela pode ser sentida, compreendida e, aos poucos, transformada.

A tendência é ficar tentando distrair a criança ou tirar a importância daquele momento: “é só um ogo”, “pare com isso”, “os jogadores nem te conhecem”. Segundo a neurociência, lutar contra um sentimento é a pior maneira de mandá-lo embora. Ou seja, você fica querendo combater uma tristeza do seu filho mas ele se apena na tristeza. Em contrapartida, quando você aceita aquele sentimento, e a criança aceita que foi compreendid, mais rápido ela conseguirá superá-lo.
É importante conversar com nossos filhos sobre a diferença entre perder e desistir. Uma derrota não apaga o esforço, a dedicação ou os bons momentos vividos no caminho. No esporte e na vida, nem sempre o resultado será favorável, mas cada experiência pode trazer amadurecimento, coragem e novas formas de recomeçar.
Também devemos ensinar que os sentimentos têm espaço: a raiva, a tristeza, o silêncio e até as lágrimas. Quando a criança aprende que pode expressar o que sente com segurança, ela desenvolve inteligência emocional para enfrentar frustrações maiores no futuro. O papel dos pais é estar perto, ouvir com carinho e ajudar a dar nome ao que dói.
A vida será feita de vitórias, mas também de perdas, desilusões e dias em que os planos não saem como imaginamos. Não podemos proteger nossos filhos de todas as chateações, mas podemos ensiná-los a não se definirem por elas. A derrota pode machucar, mas não precisa paralisar; ela pode fortalecer quem aprende a seguir em frente.
Que a tristeza de ontem dê lugar à esperança de dias melhores. O Brasil pode ter perdido um jogo, mas a nossa capacidade de sonhar, apoiar e recomeçar continua viva. Afinal, superar não é esquecer a dor: é olhar para ela com coragem e continuar acreditando que novos sonhos ainda podem florescer.


