O “perigoso” voto das mulheres em 2026?

Prepare-se para ouvir alguns absurdos já ditos contra o voto feminino…Segure o enjoo…conteúdo sensível! 

Você acredita que, quando as mulheres lutavam pelo direito ao voto, muita gente dizia coisas como estas abaixo?

 

“Mulheres são emotivas demais para votar.”

E os homens nunca votaram movidos por emoção? Democracia não exige ausência de sentimentos. Exige cidadania.

“Se as mulheres votarem, a família será destruída.”

As mulheres conquistaram o voto há quase 100 anos no Brasil. As famílias continuam existindo. O que mudou foi que metade da população passou a ter voz, apesar de ainda sub-representadas nos espaços de poder.

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“Mulheres não entendem de política.”

Como alguém pode entender de educação, saúde, segurança e trabalho sem participar da política? Política é sobre a vida de todas as pessoas.

“O marido já representa a opinião da esposa.”

Cada pessoa tem suas próprias ideias, sonhos e interesses. Democracia é representação individual, não por procuração.

“Dar voto às mulheres é perigoso.”

Primeiro, que ele nunca foi dado, mas conquistado arduamente. Perigoso é excluir mais da metade da população das decisões que afetam a sociedade inteira. Por outro lado, há mesmo um perigo. Como as mulheres têm uma outra perspectiva e sentem na pele e no corpo todo a ausência ou insuficiência de políticas públicas, com muitas delas no poder, especialmente das que possuem histórico de ações, corremos o sério risco de termos, por parte do poder público, mais e melhores escolas de tempo integral; saúde chegando mais rápido com todos(as) os(as) os(as) especialistas e leitos necessários para cirurgias de alta urgência; segurança 24h com inteligência e com pessoas qualificadas, só para dar alguns exemplos.

Voto feminino no Brasil

A conquista do voto feminino foi resultado de décadas de mobilização de mulheres e de movimentos pelo reconhecimento da cidadania feminina.

1932: o Código Eleitoral, pelo Decreto nº 21.076, reconheceu às mulheres o direito de votar e serem votadas. A regra estabelecia eleitor o cidadão maior de 21 anos, “sem distinção de sexo”.

1934: a Constituição incorporou os direitos políticos das mulheres, mas ainda estabelecia diferenças: o voto era obrigatório para mulheres que exercessem função pública remunerada.

1946: o alistamento eleitoral feminino passou a ter caráter obrigatório, aproximando formalmente mulheres e homens quanto ao exercício eleitoral.

Atualmente: mulheres constituem uma parcela majoritária do eleitorado brasileiro, mas a participação feminina nos espaços de poder continua sendo tema de debate e de políticas de igualdade política.

Diretas Já

Diretas Já (1983–1984) foi um grande movimento social e político pela volta das eleições diretas para presidente da República, durante o processo de redemocratização após a ditadura militar. Eu participei dessa mobilização e sei da sua importância. Entristeço-me, quando ouço alguém banalizando o voto e abrindo mão dos seus direitos políticos.

Em 1983, o deputado Dante de Oliveira apresentou uma proposta de emenda constitucional para restabelecer a eleição direta para presidente.

Em 1984, enormes manifestações ocuparam as ruas de diversas cidades brasileiras. Os comícios de São Paulo e do Rio de Janeiro reuniram centenas de milhares — chegando, segundo registros da Câmara, a cerca de 1,7 milhão em São Paulo e 1 milhão no Rio.

Em 25 de abril de 1984, a Emenda Dante de Oliveira foi votada na Câmara, mas não alcançou os votos necessários: foram 298 votos favoráveis, 65 contrários e 3 abstenções, faltando 22 votos para a aprovação.

Em 1985, o presidente ainda foi escolhido indiretamente, pelo Colégio Eleitoral. A eleição direta para presidente só retornaria em 1989.

Branco, nulo e quem não vai votar

Voto em branco: a pessoa comparece à urna, mas não escolhe nenhum candidato.

Voto nulo: a pessoa digita um número que não corresponde a candidato válido e confirma.

Os dois são considerados votos inválidos e não vão para nenhum candidato. Também não anulam a eleição, mesmo que sejam maioria.

Abstenção: é quando a pessoa não comparece para votar. É diferente de votar branco ou nulo.

E em 2022?

Segundo a Justiça a Eleitoral (2022), no 1º turno de 2022, havia 156,45 milhões de eleitores aptos. 32,77 milhões não compareceram, uma abstenção de 20,95% — aproximadamente 1 em cada 5 eleitores. Houve ainda 3,49 milhões de votos nulos (2,82%) e 1,96 milhão de brancos (1,59%).

No 2º turno, a abstenção foi de 32,20 milhões (20,59%); foram 3,93 milhões de nulos (3,16%) e 1,77 milhão de brancos (1,43%).

Ou seja, na eleição, você pode escolher um(a) candidato(a), votar em branco, anular o voto ou simplesmente não comparecer. Branco e nulo não são transferidos para ninguém. E quem não vai votar deixa de participar daquela escolha eleitoral; em 2022, cerca de 1 em cada 5 eleitores não compareceu às urnas.

O voto feminino ampliou a cidadania

Claro que o voto feminino ampliou a cidadania política das mulheres; as Diretas Já mobilizaram a sociedade pela recuperação do direito de escolher diretamente o presidente — duas importantes etapas da ampliação da participação política no Brasil.

E sabe o mais impressionante?

Essas frases pareciam normais para muita gente naquela época. O duro é ouvir essas asneiras em 2026, né caverna?

Por isso, quando alguém diz que direitos são garantidos para sempre, vale lembrar: todo direito foi conquistado por pessoas que tiveram coragem de desafiar absurdos.

Mulheres votam porque são cidadãs. Simples assim. E por isso eu meto a colher diariamente.

Direitos não caem do céu. São conquistados e defendidos todos os dias.

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