
Fonte imagem: Informoney (2026).
O empresário brasileiro chega ao último trimestre de 2026 mais cauteloso. Levantamentos recentes do Banco Central e da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram piora das expectativas para a economia, preocupação maior com a inflação e sinais de enfraquecimento da indústria.
Inflação e dólar preocupam
Na pesquisa Firmus, do Banco Central, realizada com empresas trimestralmente, a expectativa mediana de inflação para 2027 subiu de 4% para 4,5%. Os empresários também passaram a projetar um dólar mais valorizado nos próximos seis meses, com a estimativa avançando de R$ 5,15 para R$ 5,20.
Esse movimento merece atenção porque uma moeda americana mais forte pode aumentar os custos de empresas que dependem de máquinas, componentes e matérias-primas importadas. Se esses custos forem repassados aos preços, o consumidor poderá sentir novos efeitos no orçamento.
Ao mesmo tempo, cresceu o pessimismo em relação à atividade econômica. Para 2027, as empresas reduziram sua expectativa de crescimento do PIB de 1,8% para 1,5%. É um sinal de que a preocupação começa a se deslocar do presente para os próximos meses.
Indústria perde confiança
Os dados da FGV reforçam essa percepção. O Índice de Confiança da Indústria caiu 2,4 pontos em setembro, para 91,3 pontos, registrando o terceiro recuo consecutivo. A queda atingiu 16 dos 19 segmentos pesquisados.
Além da pior avaliação sobre a situação atual, as expectativas dos industriais também recuaram. Demanda mais fraca e estoques elevados ajudam a explicar esse comportamento e podem levar empresas a rever planos de produção e investimentos.
Quando a cautela chega à economia real
Confiança empresarial não é apenas uma medida de humor. Quando empresários esperam custos maiores, vendas menores e crescimento mais fraco, podem adiar investimentos, reduzir contratações e controlar estoques. Se esse comportamento se espalha pela economia, a própria cautela pode contribuir para uma desaceleração da atividade.
O Brasil entra, assim, nos últimos meses de 2026 diante de um desafio delicado: estimular uma economia que mostra sinais de perda de força sem permitir que as expectativas de inflação voltem a ganhar espaço.
A questão que fica é: quando o empresário começa a pisar no freio, quanto tempo demora para o consumidor sentir os efeitos?

