Quando a busca pelo perfeito começa a nos fazer adiar a vida

Existe uma forma de procrastinação que quase ninguém percebe. Ela não vem acompanhada de preguiça, desinteresse ou falta de responsabilidade. Pelo contrário: muitas vezes, ela se esconde justamente atrás da vontade de fazer tudo muito bem. É o perfeccionismo, aquela necessidade silenciosa de entregar o melhor, organizar tudo, planejar cada detalhe e só começar quando houver a sensação de que estamos completamente preparados.

O quadro propõe uma provocação interessante: “Perfeccionismo = procrastinação”. Não como uma equivalência absoluta, mas como um convite para observar um comportamento bastante comum. Quem precisa que tudo esteja perfeito pode passar tanto tempo planejando, organizando, priorizando e visualizando que, quando percebe, ainda não começou aquilo que realmente precisava fazer.

Fonte: https://www.tuasaude.com/perfeccionista/#google_vignette

Planejar o dia de hora em hora pode trazer organização. Escrever listas, definir prioridades, usar uma agenda ou até recorrer à técnica Pomodoro também pode aumentar a produtividade. O problema começa quando as ferramentas deixam de servir à ação e passam a funcionar como uma forma sofisticada de adiá-la. Afinal, existe uma diferença importante entre se preparar para fazer e se preparar eternamente para começar.

O perfeccionismo também pode transformar tarefas simples em grandes acontecimentos. Uma atividade que poderia levar uma hora passa a exigir o cenário ideal, o momento ideal, a disposição ideal e, principalmente, a certeza de que o resultado será excelente. E essa certeza simplesmente não existe. Então adiamos. Não porque não queremos fazer, mas porque temos medo de fazer e descobrir que não ficou tão bom quanto imaginávamos.

Talvez por isso algumas pessoas estejam sempre ocupadas, mas nem sempre estejam avançando. Trabalham, organizam, respondem, planejam, revisam, refazem… e continuam com aquela sensação incômoda de que há algo importante esperando para ser realizado. A produtividade pode, inclusive, tornar-se uma máscara para a própria procrastinação.

Existe uma pergunta poderosa escondida por trás desse quadro: “O que eu estou tentando evitar quando digo que ainda não está bom o suficiente?” Pode ser o medo de errar. De ser julgado. De decepcionar alguém. De descobrir que não somos tão bons quanto gostaríamos. Ou simplesmente o desconforto de começar algo sem saber exatamente onde aquilo vai terminar.

Talvez a maturidade não esteja em fazer tudo perfeitamente, mas em aprender a começar mesmo sem garantias. Fazer, ajustar, errar, corrigir, continuar. Porque algumas coisas só ficam boas depois que começam e outras jamais começarão se continuarmos esperando pela versão perfeita de nós mesmos.

E aqui fica a provocação: quantas coisas da sua vida você chama de “falta de tempo”, quando, na verdade, está apenas esperando o momento perfeito para começar?

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/o-que-pessoas-perfeccionistas-escondem-revela-um-medo-profundo/#google_vignette

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