
O Ministério da Saúde lançou, no último domingo (26 de julho), a Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online, iniciativa que busca conscientizar a população sobre os impactos das chamadas “bets” na saúde mental e ampliar o acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A campanha passou a ser veiculada na televisão, rádio e redes sociais durante a retomada do Campeonato Brasileiro, período em que a publicidade das plataformas de apostas costuma ganhar maior visibilidade.
A ação integra um conjunto de medidas adotadas pelo governo federal ao longo de 2026 para enfrentar o avanço da ludopatia — transtorno caracterizado pela perda de controle sobre o hábito de apostar. Em 15 de janeiro, o Ministério da Saúde lançou o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, documento que orienta profissionais da rede pública sobre o acolhimento e tratamento desses pacientes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,2% da população adulta mundial sofre com o transtorno do jogo, condição reconhecida pela Classificação Internacional de Doenças (CID) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) como um transtorno de comportamento aditivo.
Cresce a preocupação com os impactos na saúde mental
O Ministério da Saúde alerta que as plataformas de apostas utilizam mecanismos como notificações constantes, bônus, apostas em tempo real e recompensas variáveis, fatores que podem estimular o uso repetitivo e dificultar o controle do comportamento.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- necessidade de apostar valores cada vez maiores;
- dificuldade para interromper as apostas;
- ansiedade, irritabilidade e alterações no sono;
- prejuízos financeiros;
- conflitos familiares e sociais;
- queda no desempenho profissional ou acadêmico.
Especialistas destacam que muitas pessoas utilizam as apostas como forma de aliviar o estresse ou tentar recuperar perdas financeiras, comportamento que pode acelerar o desenvolvimento da dependência.
Atendimento gratuito pelo SUS
Como parte da campanha, o Ministério ampliou o atendimento especializado por meio do Meu SUS Digital. Após acessar o aplicativo com a conta Gov.br, o usuário pode utilizar o miniaplicativo “Problemas com jogos de apostas?”, responder a um autoteste e, quando identificado risco moderado ou elevado, ser encaminhado automaticamente para teleatendimento com profissionais especializados em saúde mental.
Além do atendimento remoto, o tratamento também pode ser iniciado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Quando necessário, o paciente é encaminhado para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem acompanhamento multiprofissional. Familiares também podem buscar orientação e acolhimento pelo SUS.
Autoexclusão das plataformas
Outra medida adotada pelo governo é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, administrada pelo Ministério da Fazenda. O sistema permite que o cidadão solicite voluntariamente o bloqueio do acesso às plataformas de apostas autorizadas, impedindo a abertura de novas contas vinculadas ao CPF e interrompendo o envio de publicidade personalizada.
Segundo dados do governo federal, mais de 574 mil pessoas já utilizaram a plataforma de autoexclusão, e 41% delas apontaram impactos na saúde mental como principal motivo para aderir ao bloqueio voluntário.
Problema tratado como questão de saúde pública
O Ministério da Saúde considera o crescimento das apostas online um desafio para a saúde pública e reforça que a prevenção depende da combinação entre informação, acesso ao tratamento e fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
A orientação é que pessoas que percebam perda de controle sobre as apostas ou familiares que identifiquem mudanças de comportamento procurem uma Unidade Básica de Saúde ou utilizem os canais digitais do SUS para receber orientação especializada. A expectativa da pasta é ampliar o acesso ao cuidado e reduzir os impactos sociais, emocionais e financeiros provocados pela dependência em jogos de apostas.

