A sobrecarga mental das mães nas férias: EXPECTATIVAS X REALIDADE

As férias escolares costumam ser idealizadas como um período de descanso, conexão e leveza. No imaginário coletivo, mães e filhos viveriam dias mais tranquilos, cheios de tempo livre e momentos felizes. Porém, para muitas mulheres, essa narrativa está distante da realidade cotidiana.

Com as crianças em casa, a rotina se intensifica e a carga invisível cresce. Planejar refeições, organizar horários, entreter, mediar conflitos, acolher emoções e, muitas vezes, seguir trabalhando. A mente materna permanece ativa, antecipando necessidades e resolvendo demandas que raramente são percebidas ou compartilhadas.

Eu, como todas as mães, tenho vivido momentos desafiadores em casa. Tudo sai do lugar, começando pela rotina. Horas intermináveis durante o dia e a sensação é de que eles nunca cansam, não é verdade? Confesso que me esgota. Neste período, para as crianças, não existe diferenciação de dias. Para eles, tanto faz ser segunda como ser sábado ou domingo.

Há também um impacto direto no funcionamento do cérebro. A sobrecarga mental contínua mantém o sistema nervoso em estado de alerta, elevando níveis de estresse e reduzindo a capacidade de foco, memória e regulação emocional. O cansaço deixa de ser apenas físico e se instala como exaustão psíquica.

Em meio a esse cenário, muitas mães sentem culpa por não corresponder às expectativas criadas socialmente a ideia de férias perfeitas, de disponibilidade integral e de paciência infinita. Esse conflito interno, silencioso, aprofunda o desgaste emocional e afasta a mulher de si mesma.

Fortalecer a convivência durante as férias não significa estar presente o tempo todo, mas estar presente com qualidade. Estabelecer limites, dividir responsabilidades e permitir que as crianças experimentem autonomia são atitudes que preservam a saúde emocional da mãe e constroem vínculos mais equilibrados.

Evitar que a carga mental evolua para um burnout materno exige consciência e prevenção. Reconhecer sinais de exaustão, abandonar a culpa e desconstruir o mito da mãe que dá conta de tudo são passos fundamentais. Cuidar de si não é egoísmo, é um ato de responsabilidade emocional.

As férias podem se tornar um convite à reorganização emocional da família. Quando a mãe se respeita, ensina pelo exemplo. O descanso possível, o diálogo honesto e a flexibilidade transformam esse período em uma oportunidade de conexão real não perfeita, mas verdadeira.

Fonte: https://www.educamaisbrasil.com.br/educacao/escolas/ferias-escolares-2026-4-dicas-para-aproveitar-sem-gastar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *