Com expectativa de recordes de audiência e tráfego digital durante o evento esportivo, cresce a procura por sustentação contínua de operações críticas e plataformas analíticas
A Copa do Mundo vai muito além do futebol. A cada edição altera a dinâmica de empresas, instituições de ensino e plataformas digitais, impulsionando campanhas comerciais, flexibilização de rotinas e aumento expressivo no consumo de conteúdo online. A mobilização gerada até mesmo pela recente convocação da seleção brasileira — acompanhada em tempo real por milhões de pessoas nas redes, transmissões e plataformas digitais — já antecipou o nível de audiência e engajamento esperado para o Mundial de 2026.
A menos de um mês do início da competição, o cenário colocou as áreas de tecnologia e dados de grandes organizações em estado de atenção diante da expectativa de recordes de tráfego durante o torneio.
Empresas de setores como varejo, streaming, meios de pagamento, telecom e apostas esportivas já começaram a reforçar estruturas críticas para evitar instabilidades e aumento nos custos de infraestrutura em nuvem durante períodos de pico.
Pressão sobre operações críticas
O movimento também impulsiona o mercado de sustentação contínua e observabilidade no Brasil. A Dataside, consultoria especializada em Dados e Inteligência Artificial que atende grandes empresas nacionais e multinacionais, afirma ter registrado crescimento na demanda por serviços ligados à sustentação 24×7 de bancos de dados, monitoramento de operações críticas e suporte contínuo a plataformas analíticas.
“A Copa cria um cenário de pressão operacional muito forte para ambientes digitais. O volume de acessos cresce rapidamente e qualquer indisponibilidade passa a ter impacto direto tanto na experiência do usuário quanto no resultado financeiro das empresas”, afirma Letícia Carvalho Amante, COO da Dataside.
Segundo a executiva, muitas companhias ainda concentram investimentos apenas na implementação de soluções de analytics e inteligência artificial, mas começam agora a perceber a importância da sustentação contínua dessas estruturas. “Hoje, não basta apenas ter dashboard, BI ou IA funcionando. As empresas precisam garantir estabilidade, disponibilidade e confiança no dado justamente nos momentos em que o negócio mais depende dessas informações”, diz.
Onde as empresas estão perdendo eficiência
A empresa atua com sustentação contínua para SQL Server, Oracle, PostgreSQL e MongoDB, além de operações voltadas à manutenção e evolução de plataformas analíticas e BI. Entre os principais gargalos identificados pelas equipes da consultoria estão crescimento acelerado de custos em nuvem, falhas silenciosas em pipelines de dados, lentidão em consultas críticas e instabilidades em dashboards utilizados por áreas estratégicas das companhias.
Em uma operação conduzida para uma multinacional do setor alimentício com atuação em diferentes países, a Dataside afirma ter realizado a modernização e sustentação de estruturas críticas utilizadas em operações industriais, comerciais e executivas. O trabalho envolveu atualização tecnológica, otimização de performance e planejamento de alta disponibilidade para sistemas considerados essenciais para a continuidade da operação.
Já em outra operação corporativa baseada em PostgreSQL na nuvem, a consultoria afirma ter reduzido em 79% os custos anuais da infraestrutura após um processo de revisão operacional e otimização de performance. Segundo a empresa, consultas críticas que antes levavam mais de 30 segundos passaram a ser executadas em menos de um segundo, ampliando a eficiência da estrutura sem necessidade de expansão proporcional da infraestrutura.
Analytics e BI sob pressão.
Além da sustentação de bancos de dados, a empresa também afirma observar avanço relevante na procura por operações contínuas voltadas a analytics e BI, impulsionadas pelo aumento da dependência corporativa de dados em tempo real para decisões estratégicas.
Em um trabalho recente realizado para uma empresa da indústria farmacêutica, a Dataside afirma ter reduzido em mais de 30% a pressão de capacidade de uma operação analítica após a revisão da estrutura de BI e otimização da operação. Segundo a consultoria, a iniciativa também contribuiu para diminuir o consumo computacional da infraestrutura e aumentar a estabilidade da plataforma em períodos de maior demanda.
Outro ecossistema corporativo acompanhado pela empresa registrou redução de custos mensais em cloud de aproximadamente R$ 480 mil para R$ 95 mil após ciclos contínuos de otimização e sustentação analítica. Segundo a companhia, o mesmo processo também reduziu o tempo de resposta das aplicações de 3,2 segundos para cerca de 420 milissegundos.
Crescimento impulsionado pela demanda
“O mercado amadureceu muito na discussão sobre inteligência artificial e analytics, mas agora começa a perceber que sustentação também é uma parte crítica da estratégia. Não adianta ter dashboards sofisticados se a operação não suporta períodos de pico ou se a informação chega com inconsistência”, afirma Letícia.
Com eventos de grande audiência e alto volume transacional pressionando cada vez mais as estruturas digitais das empresas, a tendência, segundo a Dataside, é que operações de sustentação contínua deixem de ser vistas apenas como suporte técnico e passem a ocupar papel estratégico dentro das áreas de tecnologia e dados.
Impulsionada por esse movimento, a consultoria fechou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento de 109,35% em vendas na comparação com o mesmo período do ano anterior. Para este ano, a companhia afirma manter foco em iniciativas de Dados e IA voltadas à eficiência operacional, estabilidade e retorno mensurável para o negócio.

