Uso excessivo de telas e falta de atividades ao ar livre ampliam casos de miopia infantil

Oftalmologista alerta para avanço do problema entre crianças e adolescentes e defende mudanças de hábitos para prevenir agravamento da visão

A miopia infantil deixou de ser apenas uma condição corrigida com óculos para se tornar uma preocupação crescente da oftalmologia mundial. O avanço acelerado dos casos entre crianças e adolescentes tem sido associado não apenas à predisposição genética, mas também às mudanças de hábitos provocadas pelo estilo de vida moderno, marcado pelo uso excessivo de telas e pela redução das atividades ao ar livre.

Estudos internacionais apontam que quase 5 bilhões de pessoas poderão ser míopes até 2050. Entre crianças e adolescentes, a projeção também preocupa. Uma análise publicada no British Journal of Ophthalmology estima que cerca de 740 milhões de jovens poderão desenvolver miopia nas próximas décadas.

Segundo a oftalmologista Dra. Karina Teixeira, o problema está diretamente relacionado às transformações na rotina infantil. “As crianças passaram a permanecer mais tempo em ambientes fechados, com exposição prolongada a celulares, tablets, videogames e computadores, reduzindo atividades externas e o contato com a luz natural, que é um importante fator de proteção contra a miopia”, explica.

Além da dificuldade para enxergar de longe, a progressão da miopia pode provocar complicações futuras na saúde ocular. Casos mais elevados aumentam o risco de doenças como descolamento de retina, glaucoma e alterações maculares ao longo da vida.

O impacto das telas

Uma meta-análise publicada no JAMA Network Open, envolvendo mais de 335 mil participantes, identificou relação direta entre o tempo de exposição às telas e o aumento do risco de miopia, especialmente em períodos entre uma e quatro horas diárias de uso contínuo.

A médica ressalta que o esforço visual prolongado também provoca sintomas frequentes em crianças e adolescentes. “O uso contínuo de telas exige foco de perto por muito tempo, reduz a frequência do piscar e favorece sintomas como ardência, olho seco, dor de cabeça, visão embaçada, cansaço ocular e dificuldade de concentração”, afirma.

Outro ponto destacado pela especialista é a importância da exposição à luz natural como medida preventiva. De acordo com o International Myopia Institute, o tempo ao ar livre é considerado um dos principais fatores de proteção contra o desenvolvimento da miopia na infância.

Para Dra. Karina, o debate não deve ser tratado como uma rejeição à tecnologia, mas como um alerta para o uso equilibrado dos dispositivos eletrônicos. “A tecnologia faz parte da rotina atual, mas precisa ser utilizada com maturidade. É importante estabelecer pausas frequentes, manter distância adequada das telas, garantir boa iluminação e limitar o tempo recreativo digital, além de incentivar atividades externas”, orienta.

Ela destaca ainda que pequenas mudanças de hábito podem fazer diferença significativa na saúde ocular das crianças. “A regra prática é simples: mais céu, mais luz natural, mais movimento e menos tempo contínuo diante das telas”, resume.

Acompanhamento

O acompanhamento oftalmológico regular também é apontado como fundamental para o diagnóstico precoce e o controle da progressão da miopia, especialmente entre crianças com histórico familiar ou sinais de dificuldade visual. “Quando a criança começa a aproximar muito o rosto das telas ou apresenta dificuldade para enxergar de longe, a avaliação especializada é importante para identificar precocemente possíveis alterações”, conclui.

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