Por Lê Terzi
Em tempos em que a moda mundial discute sustentabilidade, pertencimento e autenticidade, acredito que olhar para o futuro também exige revisitar as nossas origens. Talvez seja justamente nesse encontro entre memória e contemporaneidade que nasçam as criações mais sensíveis e verdadeiras do nosso tempo.
É com esse olhar que acontece, no próximo dia 18 de maio, a terceira edição do Culturas da Moda 2026, projeto que tenho a alegria de acompanhar desde sua construção inicial e que, ao longo dos últimos anos, vem fortalecendo a moda autoral, a economia criativa e os novos talentos da nossa cidade.
Nesta edição, o tema “Futuro Ancestral” propõe uma reflexão potente: o futuro da moda não está apenas na tecnologia ou nas tendências globais, mas também nas histórias, afetos, símbolos culturais e identidades que carregamos através do vestir.
O evento apresentará um desfile-conceito desenvolvido pelos alunos do curso de Design de Moda da Faculdade da Costura, sob coordenação do professor de moda e design Joesley. Mais do que uma apresentação estética, o projeto se transforma em uma experiência imersiva que conecta moda, arte, música, audiovisual e expressão cultural.
Tenho observado, nos últimos anos, uma transformação importante no comportamento da moda. O excesso perde espaço para o significado. O consumo acelerado começa a dividir atenção com a curadoria, a consciência e a busca por identidade. Hoje, vestir-se também é um ato de pertencimento e narrativa pessoal.
E talvez seja exatamente por isso que projetos como o Culturas da Moda se tornam tão necessários. Eles abrem espaço para que novos criadores expressem suas visões de mundo através da moda, valorizando não apenas estética, mas também território, memória e construção coletiva.
Uberlândia possui uma potência criativa imensa. Ver alunos, profissionais, artistas e instituições construindo juntos esse movimento reafirma a importância da moda enquanto linguagem cultural e ferramenta de transformação.
Tenho orgulho de participar dessa construção na consultoria de moda do projeto, ao lado de parceiros como a Formation Models, Secretaria Municipal de Cultura e tantos profissionais que acreditam na arte, na educação e na moda como experiências capazes de conectar pessoas.
Mais do que assistir a um desfile, o público será convidado a viver uma experiência sobre identidade, memória e futuro.
E talvez o verdadeiro futuro da moda esteja justamente nisso: lembrar quem somos.


