
A hipertensão é o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares, renais e cerebrovasculares, e sua alta prevalência destaca a necessidade de estratégias complementares ao tratamento farmacológico.
A dieta é determinante para modular a composição e a função da microbiota intestinal. Nesse contexto, a abordagem de “alimento como medicamento” destaca o potencial de alimentos específicos como agentes nutracêuticos no controle da hipertensão.
Diante disso, a alimentação emerge como um modulador central da microbiota, representando uma estratégia promissora para ajustar a microbiota de forma a favorecer a homeostase da pressão arterial.
Uma revisão de Kret e colaboradores (2025) sintetizou como os principais componentes da dieta, adição de aditivos e práticas agrícolas, podem influenciar a microbiota e contribuir para o controle da hipertensão.
Dietas ricas em açúcares simples e alimentos ultraprocessados aumentam o risco cardiometabólico e a probabilidade de hipertensão, pois comprometem a barreira intestinal e alteram a microbiota, levando a inflamação, e maior permeabilidade intestinal.
Vegetais e frutas. em geral, são fontes relevantes de polifenóis e outros fitonutrientes com ação antioxidante, anti-inflamatória e vasodilatadora, e grande parte desses compostos depende da microbiota intestinal para ser convertida em metabólitos bioativos. Isso favorece o bom controle da pressão
Fontes como soja e ervilha demonstraram elevar bactérias produtoras de butirato e favorecer um perfil microbiano cardioprotetor.
Por outro lado, gorduras alimentares alteram negativamente a microbiota, favorecendo influências hipertensivas.
Diferentes nutrientes modulam a microbiota e influenciam funções imunológicas, metabólicas e vasculares essenciais ao controle pressórico. Dietas ricas em ultraprocessados, com excesso de açúcares e gorduras, desestabilizam o microbioma e favorecem inflamação e hipertensão, enquanto padrões alimentares ricos em fibras, proteínas vegetais e alimentos fermentados estimulam microrganismos benéficos contribuindo para a redução da pressão arterial.
Avanços futuros devem incluir estratégias de nutrição personalizada baseadas no perfil microbiano, além de ensaios clínicos robustos que validem intervenções dietéticas voltadas à modulação do microbioma como complemento às terapias tradicionais para hipertensão. Então, até o momento, na luz da ciência atual, o ideal é comer para o coração e não somente para encher o estômago!
Dra. Gisele Vissoci Marquini
CRM 34170 RQE 19701
Ginecologia/Uroginecologia/Cirurgia Vaginal
Fonte: Kret, Z.et al. American Heart Association, V. 82, I.10 (2025); Pgs 1569-1589 Food as Medicine for Hypertension: Microbiota as Mediators

