
O volume de investimentos da China no Brasil tem crescido de forma significativa nos últimos anos, com destaque para projetos concentrados na região Nordeste. De acordo com dados do Conselho Empresarial Brasil-China, o país asiático já investiu cerca de US$ 66 bilhões no Brasil nos últimos 14 anos. Apenas em 2024, os aportes registraram crescimento de 113% em relação ao ano anterior.
Nesse cenário, o Nordeste se consolidou como o segundo maior destino do capital chinês no país. Entre 2007 e 2024, foram confirmados 58 projetos na região, envolvendo áreas como energia, infraestrutura, logística, mineração e tecnologia.
Entre os investimentos de maior destaque está o projeto de transmissão de energia da State Grid, que aplicou cerca de R$ 18 bilhões em uma linha de transmissão de aproximadamente 1.500 quilômetros, ligando o Maranhão ao estado de Goiás. Outro empreendimento relevante é o da montadora BYD, que anunciou investimento de R$ 5,5 bilhões para instalar em Camaçari, na Bahia, a maior fábrica da empresa fora da Ásia.
No setor de tecnologia, a empresa ByteDance também anunciou planos de investimento superiores a R$ 200 bilhões para a implantação de um grande data center no Ceará. O projeto prevê o uso de energia 100% proveniente de fontes eólicas e poderá se tornar o maior complexo do tipo na América Latina.
Na área de infraestrutura, outro empreendimento que envolve capital chinês é a construção da ponte Salvador-Itaparica, na Bahia. Avaliado em cerca de R$ 11 bilhões, o projeto é conduzido por um consórcio com participação de empresas chinesas e deverá se tornar a maior ponte sobre água da América Latina.
Especialistas apontam que o Nordeste reúne características que favorecem esse movimento de investimentos, como grande potencial de geração de energia renovável, custos operacionais menores em comparação com o Sudeste e posição geográfica estratégica no Atlântico. A localização facilita rotas marítimas com a África e a Europa, o que pode reduzir custos logísticos para exportações.
Além do aspecto econômico, a presença chinesa na região também tem gerado discussões no campo geopolítico. Em fevereiro de 2026, um relatório apresentado ao Congresso dos Estados Unidos apontou que a China mantém uma estação de rastreamento de satélites na Bahia, conhecida como Estação Terrestre de Tucano. Segundo o documento, a estrutura permitiria monitoramento de objetos espaciais e acompanhamento de ativos em tempo real na América do Sul. O relatório menciona ainda a existência de pelo menos dez instalações chinesas semelhantes em diferentes países do continente.
Analistas avaliam que os investimentos chineses fazem parte de uma estratégia de longo prazo voltada à expansão da presença econômica e logística global. Projetos em setores como energia, infraestrutura e tecnologia tendem a ampliar a influência econômica e a integração comercial entre os países nas próximas décadas.
Fonte: Conselho Empresarial Brasil-China.

