
As Olimpíadas de Inverno realizadas na Itália entraram para a história ao se tornarem as primeiras, em meio século, a liberar oficialmente a execução do salto mortal para trás na patinação artística. O movimento, conhecido como backflip, voltou ao programa competitivo após décadas de proibição por questões de segurança.
O responsável por reestrear o salto em cenário olímpico foi o americano Ilia Malinin, de 21 anos. A apresentação ocorreu na arena de gelo em Milão e teve impacto direto nos resultados da competição. Segundo a agência Reuters, Malinin já conquistou a medalha de ouro na disputa por equipes e, nas eliminatórias do individual masculino, garantiu a classificação para a final em primeiro lugar após executar o movimento com precisão.
Conhecido por elevar o nível técnico da patinação artística, Malinin consolidou sua imagem como um dos atletas mais inovadores da atual geração, utilizando elementos de alta complexidade que antes eram restritos ou proibidos nas competições oficiais.
Apesar da liberação formal ter ocorrido apenas agora, o salto mortal para trás já havia sido apresentado em Jogos Olímpicos mesmo durante o período de banimento. Em 1998, nos Jogos de Inverno de Nagano, no Japão, a francesa Surya Bonaly desafiou as regras ao executar o movimento durante sua apresentação.
Na ocasião, Bonaly foi além: finalizou o salto aterrissando em apenas uma perna, um feito inédito até hoje na história da patinação artística. Ainda assim, a execução foi considerada infração e resultou em penalizações severas. Reconhecida como uma das atletas mais revolucionárias do esporte, a patinadora terminou a competição apenas na décima colocação.
A decisão de liberar novamente o backflip reflete uma mudança de postura das entidades reguladoras, que passaram a considerar a evolução técnica dos atletas e o avanço nos critérios de segurança. De acordo com a Reuters, a medida abre espaço para apresentações mais ousadas e pode redefinir os limites técnicos da patinação artística nos próximos ciclos olímpicos.

