O mapa da indústria em 2025: um Brasil de duas velocidades

Com um crescimento de 0,6%, a indústria brasileira encerra 2025 mostrando que a retomada não é uniforme, mas é real. O destaque fica para a descentralização da produção, que avançou em 10 dos 18 locais pesquisados pelo IBGE.

Fonte imagem: BCend (2017).

O balanço final da produção industrial em 2025, divulgado pelo IBGE, traz um número que exige uma leitura atenta: a expansão de 0,6% na média nacional em comparação a 2024. Embora o percentual pareça modesto, ele esconde um fenômeno de “reindustrialização seletiva”. O Brasil não cresceu por igual, mas cresceu onde o investimento em infraestrutura e o agronegócio mais demandaram.

Os protagonistas da alta:

  1. O Fenômeno Capixaba (11,6%): O Espírito Santo operou em uma órbita própria em 2025. Esse crescimento de dois dígitos é reflexo direto da retomada vigorosa da pelotização de minério de ferro e da exportação de aço, beneficiadas por uma demanda externa resiliente. É a prova de que estados com forte ligação com o mercado global de commodities “carregaram” o índice nacional.

  2. A Resiliência do Sul: Santa Catarina (3,2%) e Rio Grande do Sul (2,4%) mostram que a indústria de transformação (aquela que pega a matéria-prima e faz o produto final) está reagindo. No caso gaúcho, o número é especialmente simbólico, representando a superação de desafios climáticos e logísticos que afetaram o estado anteriormente.

  3. O Equilíbrio do Amazonas e Bahia: O crescimento de 0,1% e 0,3% indica estabilidade. Para esses estados, o ano foi de “manutenção de conquistas”, lutando contra custos de transporte e a concorrência de produtos importados.

O alerta vermelho: as retrações

Na contramão do otimismo, o Mato Grosso do Sul (-12,9%) e o Rio Grande do Norte (-11,6%) registraram perdas de dois dígitos, refletindo paradas técnicas e oscilações bruscas em setores extrativos e de refino.

No entanto, o dado que mais pesa na média nacional é a queda de 2,2% em São Paulo. Sendo o parque fabril mais diversificado do país, a retração paulista funciona como uma âncora para o índice global. Quando São Paulo perde fôlego — seja pelo custo do crédito ou pela concorrência com importados —, a indústria brasileira sente o impacto de forma imediata. O Nordeste também enfrentou dificuldades, com a região recuando 0,8% como um todo, puxada especialmente por Maranhão (-5,1%) e Pernambuco (-3,8%).

Por que a média global foi de “apenas” 0,6%?

Se 10 locais cresceram, o que segurou o PIB industrial? A resposta está no custo de capital e na transição tecnológica.

  1. Juros e Consumo: Apesar da queda gradual da Selic ao longo do ano, o crédito para bens de capital (máquinas e equipamentos) ainda é caro, o que freia grandes expansões fabris.

  2. Custo Logístico: A indústria ainda luta contra gargalos de transporte que encarecem o produto final, especialmente nos estados que ficaram no campo negativo ou estagnados.

O que esperar para 2026?

O crescimento de 0,6% é visto por analistas como um “piso de estabilidade”. Com a Reforma Tributária entrando em fase de teste (as alíquotas de 1% que comentamos anteriormente), a expectativa é que o setor industrial seja o mais beneficiado pela simplificação de impostos e pelo fim da cumulatividade, o que pode destravar investimentos represados.

Para você, leitor: como equilibrar uma economia que voa na extração de recursos naturais, mas ainda patina na produção de bens de maior valor agregado dentro das nossas fábricas? O 0,6% de crescimento é um copo meio cheio ou meio vazio?

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