Com aulas já em andamento, o especialista em marketing do consumidor Marcus Vinícius Ferreira aponta que rotina, atendimento e confiança pesam mais do que campanhas na decisão de permanência ou troca de escola.

Mesmo com o ano letivo em andamento, fevereiro segue como um dos meses mais sensíveis para decisões ligadas à educação. Passada a empolgação da matrícula e da mochila nova, muitas famílias entram no que especialistas chamam de “choque de realidade”, quando a promessa feita em janeiro começa a ser confrontada com a rotina diária, o orçamento apertado e a experiência real dentro da escola.
Para o publicitário e especialista em marketing do consumidor Marcus Vinicius Ferreira, a escolha por uma instituição de ensino está longe de ser apenas racional. “Ninguém acorda pensando que vai comprar educação. O que os pais estão comprando é sossego e a esperança de que o filho tenha uma vida melhor. É uma decisão carregada de emoção, responsabilidade e até culpa”, explica.
Segundo ele, janeiro é movido por expectativa, enquanto fevereiro marca o início do teste mais importante para as marcas educacionais. “O pai para de olhar a foto bonita no Instagram e começa a observar se o filho está se adaptando, se faz amigos, se o uniforme já rasgou. O sonho vira dia a dia. É aí que o jogo começa de verdade.”
Fevereiro: o mês em que a promessa é colocada à prova
Na prática, fevereiro funciona como um divisor de águas. É quando o discurso apresentado no momento da matrícula precisa se confirmar na entrega cotidiana. “O consumidor se sente traído quando o que ele vive no portão da escola não bate com o que ouviu na hora de assinar o contrato. Nenhuma campanha em rede social consegue salvar uma operação que falha no atendimento real”, afirma Marcus Vinícius.
Esse movimento ajuda a explicar por que muitas famílias ainda fazem ajustes importantes na vida escolar dos filhos mesmo com as aulas já em andamento. Troca de escola, renegociação de mensalidade e revisão de escolhas passam a ser consideradas quando a rotina não encaixa na dinâmica da casa. “Muita gente só descobre que o sapato aperta quando começa a andar com ele. Ninguém quer carregar um erro por dez meses só porque assinou um contrato.”
Consumo emocional perde força e decisão fica mais racional
Após o Carnaval, o comportamento do consumidor muda de forma perceptível. A tolerância diminui e a cobrança aumenta. “Quando o boleto de março aparece, o filtro cai. O pai deixa de ser paciente e vira fiscal de custo-benefício. Ele passa a exigir que a eficiência da entrega seja do tamanho do sacrifício financeiro que está fazendo”, analisa Marcus Vinicius.
Nesse cenário, confiança pesa mais do que preço. Marcus Vinícius destaca que, mesmo com o orçamento pressionado, a educação costuma ser o último item a sofrer cortes. “A família corta muita coisa antes de cortar a escola, desde que confie que o filho está seguro e bem cuidado. O preço só vira vilão quando a escola se torna fria, distante e faz os pais sentirem que o filho é apenas mais um número.”
Comunicação e relacionamento viram diferencial competitivo
Para o especialista, um dos erros mais comuns das marcas educacionais neste momento do ano é insistir em discurso de venda. “Em fevereiro, o pai não quer propaganda. Ele quer atenção, resposta rápida e solução. O contrato assinado é só o começo.”
A comunicação mais eficiente, segundo ele, passa pela transparência e pela humanização. Mostrar desafios, bastidores e como a escola lida com problemas reais gera mais conexão do que campanhas perfeitas. “Quando a marca admite que nem tudo é ideal, mas mostra como está trabalhando para melhorar, ela constrói uma autoridade que a propaganda não compra.”
A diferença entre marcas que mantêm alunos e aquelas que perdem espaço nos primeiros meses do ano está na coerência entre discurso e prática. “O que mantém o aluno não é o marketing que o trouxe, mas a verdade que ele encontra quando entra. O pós-venda na educação é o que define o valor real do serviço. Relacionamento transforma mensalidade em investimento”, conclui Marcus Vinicius Ferreira.

