
Fonte imagem: Tributário (2025).
A tão debatida Reforma Tributária deixou os gabinetes de Brasília para começar a desenhar uma nova realidade nas prateleiras dos supermercados e nos boletos de serviços. Para o cidadão comum, a sopa de letrinhas — IVA, CBS, IBS — pode parecer distante, mas o impacto é direto no poder de compra e na organização do orçamento doméstico.
A essência da mudança é a simplificação. O Brasil caminha para substituir cinco impostos complexos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual. Na prática, isso acaba com o “imposto sobre imposto”, permitindo que as empresas calculem de forma mais clara seus custos.
O Prato Feito e a Cesta Básica
Uma das maiores vitórias para o consumidor final é a criação da Cesta Básica Nacional Isenta. Itens essenciais como arroz, feijão, carnes, ovos e leite não terão cobrança de tributos. Para as famílias de baixa renda, o impacto será potencializado pelo “Cashback“, um sistema de devolução de parte do imposto pago em contas de luz, água e gás, devolvendo fôlego financeiro para quem mais precisa.
Serviços: O Ponto de Atenção
Se por um lado o consumo de bens (eletrodomésticos, eletrônicos) tende a ficar mais barato com a unificação das alíquotas, o setor de serviços — que inclui academias, escolas particulares, pet shops e streaming — pode sentir uma pressão de alta. Como esses setores tinham uma carga tributária menor, a convergência para uma alíquota única de IVA pode levar a reajustes nos preços finais.
Seletivo: O “Imposto do Pecado”
A reforma também traz uma função extra-arrecadatória: o Imposto Seletivo. Produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes, terão uma tributação mais pesada. O objetivo é desestimular o consumo através do bolso, gerando recursos para o sistema de saúde.
Resumo para o Leitor
| O que pode cair de preço | O que pode subir de preço | Novidades sociais |
| Alimentos da cesta básica | Mensalidades de serviços | Cashback para baixa renda |
| Eletrodomésticos e eletrônicos | Bebidas alcoólicas e cigarros | Transparência total na nota fiscal |
| Produtos industrializados em geral | Streaming e serviços digitais | Fim da guerra fiscal entre estados |
O Caminho até 2033
É importante lembrar que a transição é gradual. Não veremos todas as mudanças amanhã. O sistema atual e o novo conviverão por alguns anos para que a economia se ajuste sem choques. O grande ganho para o cidadão, além dos preços, será a transparência: finalmente saberemos quanto de imposto estamos pagando em cada produto, sem as camadas ocultas do sistema antigo.

