
Fonte imagem: Neofeed (2025).
A economia brasileira respirou com um alívio notável em outubro de 2025. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou uma alta de apenas 0,09% no mês. Este é o menor patamar de inflação para o mês de outubro em 27 anos, um dado que surpreendeu positivamente os analistas de mercado, que esperavam um índice mais elevado. Alguns analistas esperavam um IPCA de 0,16% para o mês em questão.
A principal força por trás dessa desaceleração foi o recuo nos preços do grupo Habitação, especificamente na conta de energia elétrica. A queda se deve, em grande parte, à estabilidade no regime de chuvas, que manteve os reservatórios em níveis confortáveis, permitindo o acionamento de bandeiras tarifárias mais baratas ou até a manutenção da bandeira verde. A deflação pontual em setores como o de energia é crucial, pois seu peso na cesta de consumo é significativo e tem um efeito cascata em toda a economia.
Outro fator que contribuiu foi a descompressão nos preços de alguns alimentos, após picos recentes. Embora o grupo de alimentos e bebidas continue sendo uma pressão constante, a desaceleração em produtos industrializados e a acomodação de commodities globais contribuíram paraa segurar o índice geral.
Apesar do resultado pontual de outubro ser comemorado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses ainda registra alta de 4,68%. Esse número, embora esteja abaixo dos picos recentes, permanece acima da meta central de inflação estabelecida pelo Banco Central, que é de 3% (com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, indo até 4,5%).
O dado de outubro reforça a expectativa de que o ciclo de juros altos está, de fato, cumprindo seu papel de ancorar as expectativas e derrubar os preços. Para o Comitê de Política Monetária (Copom), o resultado coloca um desafio: a inflação histórica oferece um argumento poderoso para iniciar (ou acelerar) o corte da taxa Selic, algo tão desejado pelo governo para estimular o crescimento econômico. No entanto, o Copom precisa garantir que a inflação acumulada convirja para a meta, mantendo a credibilidade fiscal e evitando um retorno precoce da pressão inflacionária. A balança entre combater a inflação e permitir o crescimento nunca esteve tão sensível.

