Black Friday 2026: consumidores antecipam pesquisas e empresas precisam ir além dos descontos

Após e-commerce movimentar R$ 4,76 bilhões na data em 2025, especialista aponta estratégias para vender mais sem comprometer o lucro e aproveitar ofertas com segurança

A Black Friday ainda está a algumas semanas de distância, mas, para Murilo Elxai de Oliveira, de 38 anos, os preparativos começaram em setembro. Morador de Uberlândia (MG), ele já tem uma lista de compras que inclui equipamentos de cozinha e churrasco, além de uma câmera fotográfica. Desde então, acompanha os preços para identificar quais ofertas realmente valerão a pena.

“Anoto os produtos, salvo os links e acompanho os preços semanalmente. Uso comparadores para saber quanto cada item realmente custa. Quando chega novembro, já conheço o histórico e não caio na famosa ‘metade do dobro’”, conta.

Oliveira não está sozinho. Pesquisa Google/Offerwise revela que 48% dos consumidores chegam à temporada de Black Friday com a lista de compras pronta e 44% pesquisam preços e condições antecipadamente. Em 2025, somente na sexta-feira da Black Friday, o e-commerce brasileiro faturou R$ 4,76 bilhões, crescimento de 11,2% em relação ao ano anterior, segundo a Confi Neotrust. Em 2026, a data será em 27 de novembro.

Para o economista e especialista em marketing, Matheus Mundim, fundador da V4 Mundim & Co., esse comportamento reforça a importância do planejamento dos dois lados do balcão. “O consumidor está mais atento ao valor real das ofertas. Já para as empresas, não basta anunciar grandes descontos. É preciso conhecer o público, construir ofertas relevantes e vender sem comprometer o lucro”, explica.

Como aproveitar as ofertas sem cair em armadilhas

Segundo Mundim, o primeiro passo para comprar bem é definir prioridades e pesquisar preços antes da data. Ele também recomenda acompanhar o histórico dos produtos, comparar condições de pagamento e verificar a reputação das lojas.

“Uma boa promoção não é necessariamente aquela com o maior percentual de desconto, mas a que representa economia real em algo que a pessoa já precisava ou pretendia comprar. Também é importante desconfiar de ofertas que exploram a urgência para provocar decisões impulsivas”, orienta.

Para as empresas, vender mais exige estratégia

Do outro lado, Mundim destaca que outubro é decisivo para planejar campanhas. Organizar estoques, definir produtos de atração e estruturar ofertas com combos, brindes e descontos progressivos são algumas das estratégias para aumentar o valor percebido sem comprometer a margem de lucro.

A inteligência artificial também pode ajudar a identificar hábitos de consumo, personalizar ofertas, agilizar o atendimento e recuperar oportunidades de venda. “Hoje conseguimos cruzar dados, identificar produtos comprados em conjunto e direcionar campanhas com muito mais precisão. Mas a tecnologia precisa estar conectada a uma estratégia comercial bem definida”, explica Mundim, que também é especialista em Inteligência Artificial aplicada aos negócios.

Entre os principais erros, o especialista aponta descontos indiscriminados, falta de estoque e promoções que reduzem a rentabilidade. Ele também alerta para a importância de manter o relacionamento com os clientes conquistados durante a campanha.

“A Black Friday não deve ser uma corrida para vender a qualquer preço. As empresas precisam pensar no resultado da operação e na continuidade do relacionamento com o cliente. Por sua vez, quem compra deve aproveitar o acesso à informação para fazer escolhas mais conscientes. O planejamento é o que permite transformar a data em uma boa oportunidade para ambos”, conclui.

 

Assessoria de Imprensa:

Michele Borges

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