Moda e comportamento | Por Lê Terzi
Aos 40+, o corpo muda, as prioridades se transformam e a maneira de vestir também pode ganhar novos significados. Mais do que acompanhar tendências, essa fase nos convida a reconhecer nossa própria imagem e descobrir novas formas de expressar quem somos.
Hoje, quero começar esta reflexão de uma maneira diferente. Não apenas como consultora de moda, mas como uma mulher que também está vivendo suas próprias descobertas sobre o que significa chegar aos 40+.

Quem somos nós quando a perimenopausa chega?
Confesso que achei que esse assunto ainda demoraria a fazer parte da minha vida. Mas, recentemente, comecei a perceber algumas mudanças no meu corpo, alguns sintomas e até transformações na maneira como me relaciono com as roupas. O conforto, por exemplo, passou a ter um peso muito maior nas minhas escolhas.
E foi justamente essa percepção que me levou a pensar sobre algo que vai além da moda: como as mudanças do corpo influenciam a maneira como nos enxergamos?
Em uma consulta com minha ginecologista, surgiu uma conversa sobre imagem pessoal depois dos 40. Afinal, durante muito tempo, completar 40 anos parecia significar que era hora de se vestir de maneira mais formal, adotar escolhas mais serias e deixar pouco espaço para experimentar.
Felizmente, essa visão vem sendo questionada.
A moda contemporânea oferece uma diversidade de possibilidades para que cada mulher encontre maneiras de se vestir que façam sentido para sua rotina, personalidade e momento de vida. Não existe uma regra que determine o comprimento da saia, o modelo da calça ou as cores que uma mulher de 40 anos deve usar.
Mas existe uma questão importante: será que as roupas que escolhemos hoje ainda representam quem somos?

O corpo muda. E o estilo também pode mudar.
A perimenopausa é uma fase de transição que antecede a menopausa e pode trazer mudanças físicas, emocionais e no padrão menstrual. Para algumas mulheres, esse período chega acompanhado de alterações no sono, ondas de calor, mudanças de humor e outras sensações que interferem na rotina.
É natural que essas transformações também tragam novas necessidades na hora de se vestir. Tecidos mais leves, modelagens menos restritivas, peças versáteis e roupas que acompanham os movimentos do corpo podem ganhar espaço no guarda-roupa.
Isso não significa abrir mão da elegância ou do estilo. Significa compreender que vestir-se bem não precisa ser um exercício de resistência ao próprio corpo.
O conforto pode caminhar junto com a sofisticação. Uma camisa de algodão, uma calça de alfaiataria com caimento confortável, um vestido fluido ou um conjunto bem escolhido podem transmitir personalidade sem comprometer o bem-estar.
O segredo está em fazer escolhas conscientes, respeitando as necessidades do corpo e a identidade de cada mulher.
A imagem que construímos aos 40+

Nossa imagem não é estática. Ela acompanha nossas experiências, mudanças de comportamento, conquistas, inseguranças e descobertas.
A mulher que somos aos 40 não é necessariamente a mesma dos 20 ou dos 30. E tudo bem se as roupas que faziam sentido naquela época já não traduzirem nossa personalidade atual.
Talvez determinadas peças tenham perdido espaço. Talvez outras tenham ganhado um significado completamente novo. Ou, quem sabe, este seja o momento de experimentar uma estética que sempre despertou nosso interesse, mas que nunca tivemos coragem ou oportunidade de explorar.
Por isso, conhecer o próprio estilo é tão importante. Antes de seguir tendências ou reproduzir referências das redes sociais, vale perguntar: o que eu quero comunicar? Como quero me sentir quando me olho no espelho? Minha imagem acompanha a mulher que me tornei?
Essas respostas ajudam a construir um guarda-roupa mais coerente com a vida real, sem a necessidade de seguir padrões impostos pela idade.
Vestir-se de si é melhor do que vestir um personagem
Talvez uma das grandes descobertas dessa fase seja perceber que não precisamos provar nada por meio da roupa.
Não precisamos parecer mais jovens, mais sérias, mais elegantes ou mais modernas para corresponder às expectativas de outras pessoas. Podemos, sim, explorar tendências, experimentar novas combinações e transformar nossa imagem. Mas essas escolhas precisam fazer sentido para nós.
A moda oferece ferramentas para essa construção. Ela permite comunicar personalidade, fortalecer a presença profissional, expressar desejos e até redescobrir partes de nós mesmas que ficaram esquecidas na correria da vida.E esse processo não tem prazo de validade.

Aos 40, 50 ou 60 anos, podemos continuar mudando, aprendendo e experimentando. Afinal, nossa identidade não se encerra em uma determinada década da vida.
Tenho pensado muito sobre isso: talvez a questão não seja apenas descobrir como devemos nos vestir aos 40+, mas entender quem somos neste momento e o que desejamos comunicar ao mundo.
Porque vestir-se de si é muito mais interessante do que criar um personagem. Até porque alguns personagens não se sustentam.
E você, já parou para pensar se a sua imagem representa a mulher que você se tornou?
Cuidar da saúde também faz parte desse processo de autoconhecimento. Reconhecer as mudanças do corpo, respeitar nossos limites e buscar ajuda quando necessário são atitudes que contribuem para atravessar essa fase com mais informação, acolhimento e bem-estar.

