
O rastreamento do câncer do colo do útero está passando por uma importante transformação: o teste molecular para detecção do HPV de alto risco ganha protagonismo por apresentar maior sensibilidade para identificar mulheres sob risco de desenvolver lesões precursoras. A mudança amplia a capacidade de prevenção e permite identificar precocemente infecções persistentes, antes que evoluam para alterações mais graves. Além de aprimorar a segurança do rastreamento, novas estratégias podem incorporar intervalos mais adequados e alternativas de coleta, tornando o processo mais acessível e eficiente.
Entretanto, vale ressaltar que o teste de HPV detectado algum subtipo do vírus não necessariamente significa doença. Muito pelo contrário. Significa que a aquela mulher deve priorizar seus exames de rastreamento e detecção precoce de possíveis lesões. Nesses casos, a avaliação com colposcopia e biópsia de lesões visualizadas na colposcopia fazem a diferença.

Mais do que substituir um exame por outro, os avanços representam uma mudança de paradigma: sair de uma abordagem predominantemente baseada na identificação de alterações celulares para uma estratégia orientada pelo risco relacionado ao HPV. O desafio agora é garantir que essa inovação chegue a todas as mulheres, com acesso ao teste, vacinação contra o HPV e acompanhamento adequado dos resultados. Detectar precocemente é importante, mas prevenir a infecção, tratar as lesões precursoras e assegurar seguimento de qualidade são etapas igualmente essenciais para que o câncer do colo do útero deixe de ser uma doença evitável que ainda causa milhares de mortes.
Dra. Gisele Vissoci Marquini
CRM 34170 RQE 19701
Ginecologia/ Uroginecologia/Cirurgia Vaginal
Fonte imagens: arquivo Revista Soberana e google dominio público

