
Por décadas, a medicina foi construída a partir de evidências que nem sempre contemplavam as particularidades do corpo feminino. Hoje, esse cenário começa a mudar. Mulheres têm conquistado maior representatividade nas pesquisas, e temas antes negligenciados, como saúde pélvica, menopausa, endometriose, sexualidade, incontinência urinária e os impactos do câncer sobre a qualidade de vida, passam a ocupar espaço relevante na ciência.
Colocar o corpo feminino no centro da pesquisa não significa apenas estudar mais as mulheres, mas compreender suas diferentes fases da vida e reconhecer que sexo, gênero, hormônios e contexto social podem influenciar sintomas, doenças, tratamentos e desfechos. Especificamente sobre pesquisas em câncer, o conceito atual enfatiza o que importa para a paciente além da cura. Não basta sobreviver, mas viver bem e respeitar seus valores. O que é valor para a paciente passa a ser destaque, seja maternidade após a cura, desenvolver projetos agregados à cura, resgate da sexualidade, viver relacionamentos que realmente valem a pena.

Ainda há um longo caminho. Precisamos de pesquisas que não apenas incluam mulheres, mas que façam perguntas relevantes para elas e traduzam os resultados em cuidado individualizado. A verdadeira evolução da medicina acontece quando a ciência deixa de enxergar a mulher como uma exceção e passa a considerá-la protagonista da produção do conhecimento. Afinal, conhecer profundamente o corpo feminino é também ampliar as possibilidades de prevenção, tratamento, autonomia e qualidade de vida.
Dra Gisele Vissoci Marquini
CRM 34170 RQE 19701
Ginecologiia/Uroginecologia/Cirurgia Vaginal
Fonte imagens: arquivo Revista Soberana

