Esse comportamento consiste em atrasar propositalmente a hora de dormir para ter mais espaço na rotina para atividades prazerosas depois das tarefas do dia a dia, mas isso é um hábito perigoso, destaca o mestre em neuropsicologia e Gestor de Projetos Científicos do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Adriel Silva Weber

Depois de um dia inteiro dedicado ao trabalho, estudos, obrigações domésticas e responsabilidades, muitas pessoas chegam em casa com a sensação de que ainda não viveram nada para si. A solução encontrada por alguns é abrir mão de horas de sono para assistir séries, navegar nas redes sociais, jogar ou simplesmente aproveitar um tempo de lazer.
O comportamento ficou conhecido como “vingança da hora de dormir” ou “revenge bedtime procrastination”, um fenômeno que vem chamando a atenção de especialistas por aumentar o risco de privação de sono e seus impactos na saúde.
“O cérebro entende esse momento como uma tentativa de recuperar a autonomia perdida durante o dia. A pessoa sente que merece um tempo para si, mas acaba pagando esse preço com horas de descanso, criando um ciclo que compromete tanto o bem-estar quanto o desempenho nas atividades do dia seguinte”, explica o mestre em neuropsicologia e Gestor de Projetos Científicos do CPAH – Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, Adriel Silva Weber.
A falsa sensação de compensação
Quem adota esse hábito costuma acreditar que está equilibrando a rotina ao reservar um período para atividades prazerosas, mas essa compensação acontece às custas do sono, que é um dos principais pilares da saúde mental.
Dormir menos reduz a capacidade de concentração, prejudica a memória, aumenta a irritabilidade e dificulta o controle emocional. Com o passar do tempo, a privação de sono pode favorecer quadros de ansiedade, estresse e esgotamento.
O fenômeno é especialmente frequente entre jovens adultos, que conciliam trabalho, estudos e uma rotina intensa. Ao final do dia, o celular, os serviços de streaming e as redes sociais oferecem uma forma rápida de entretenimento, tornando ainda mais difícil interromper o uso e ir para a cama, além disso, a sensação de estar constantemente ocupado faz com que o período noturno pareça ser o único momento realmente disponível para fazer algo por prazer.
Um ciclo difícil de quebrar
Dormir mais tarde gera cansaço no dia seguinte. Esse desgaste torna as tarefas diárias mais difíceis e aumenta a sensação de que todo o tempo foi consumido por obrigações. Como consequência, na noite seguinte a pessoa volta a adiar o sono para tentar recuperar o tempo perdido, reforçando um ciclo contínuo de privação de descanso.
“Quando isso acontece de forma repetitiva, o organismo deixa de ter tempo suficiente para restaurar funções importantes do cérebro. O lazer é fundamental, mas ele não deve competir com o sono, porque ambos são necessidades essenciais para a saúde”, destaca Adriel Silva Weber.
Como evitar esse comportamento?
Criar pequenos momentos de lazer ao longo do dia ajuda a reduzir a sensação de que apenas a madrugada pode oferecer descanso emocional. Também é importante estabelecer um horário regular para dormir, diminuir o uso de telas próximo ao momento de deitar e compreender que descansar não significa perder tempo, mas investir na própria saúde.
Ter momentos de diversão e autocuidado faz parte de uma vida saudável. O problema surge quando o único espaço para isso é conquistado às custas do sono diário.
“O verdadeiro descanso não acontece apenas quando fazemos aquilo de que gostamos, mas também quando permitimos que o cérebro recupere suas energias. Dormir bem é uma necessidade biológica e um investimento direto na saúde mental, no equilíbrio emocional e na qualidade de vida”, conclui Adriel Silva Weber.

