Os cuidados com a saúde do coração passam pela atenção com outras condições, rotinas, etc., que podem afetar a saúde cardiovascular, como o burnout, destaca o médico cardiologista Dr. Roberto Yano

Neste Dia do Trabalho, comemorado no dia 1º de Maio, o debate sobre a saúde ocupacional ganha um novo e preocupante contorno: a Síndrome de Burnout.
Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, o esgotamento profissional deixou de ser uma questão puramente psicológica para se tornar um fator de risco crítico para o sistema cardiovascular.
De acordo com a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), cerca de 30% das pessoas ocupadas sofrem com a síndrome de Burnout e segundo dados do Ministério da Previdência Social, em 2024, houve quase meio milhão de afastamentos, o maior número dos últimos dez anos.
O impacto no sistema circulatório
A relação entre o estresse crônico e o coração é direta e fisiológica, quando o corpo atinge o limite do esgotamento, há uma liberação excessiva de hormônios como o cortisol e a adrenalina. Esse estado de alerta constante não afeta apenas a mente, mas altera o funcionamento de todo o sistema circulatório.
“O estresse crônico causado pelo burnout eleva os níveis de cortisol e adrenalina no organismo, hormônios que mantêm o corpo em estado de alerta. Esse estado de alerta constante pode causar o aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, sobrecarregando o músculo cardíaco a longo prazo”, explica o médico cardiologista Dr. Roberto Yano.
Doenças silenciosas e o risco de infarto
A negligência com os sintomas do burnout é um dos maiores perigos. O cansaço extremo, muitas vezes confundido com uma fase passageira, pode mascarar arritmias e hipertensão arterial.
A longo prazo, a inflamação sistêmica causada pelo estresse crônico favorece o acúmulo de placas de gordura nas artérias, o que aumenta as chances de eventos agudos futuros.
“Os cuidados com a saúde do coração passam pela atenção com outras condições, rotinas, etc., que também podem afetar a saúde cardiovascular, como o burnout, muitas vezes com efeitos maiores no longo prazo que os demais fatores.”.
“O acompanhamento médico regular e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional são as melhores ferramentas de prevenção contra o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC)”, , destaca o Dr. Roberto Yano.

