Quando mulheres viram “mães” de maridos: cruzes! 

Quando mulheres viram “mães” de maridos: cruzes! 
Fonte: Extra online, 2019

Ainda hoje, no século XXI, em muitos lares, as mulheres assumem a função de “mães” de seus maridos. Isso ocorre quando além de suas responsabilidades profissionais e familiares, elas também se tornam as principais responsáveis por lembrar, organizar e executar tarefas domésticas que poderiam ser compartilhadas igualmente. Pesquisa recente do IBGE em 2022 aponta que as mulheres dedicam, em média, mais que o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico em comparação aos homens, o que revele uma desigualdade persistente.

A socióloga Arlie Hochschild em 1989, denominou esse fenômeno de “segunda jornada”, indicando que o tempo de descanso das mulheres é frequentemente transformado em mais trabalho, mas esse invisível e não remunerado. Já Susan Walzer no seu livro “Thinking About the Baby: Gender and Divisions of Infant Care” de 1998, que estudou sobre a maternidade, demonstrou que as mulheres carregam também a chamada carga mental que seria a responsabilidade de planejar, lembrar e organizar atividades cotidianas, o que quando estendido ao parceiro, transforma a relação em uma dinâmica de hierarquia desigual.

Heleieth Saffioti no livro “A mulher na sociedade de classes” de 1976, já alertava que o trabalho doméstico é naturalizado como obrigação feminina, reproduzindo desigualdades estruturais. Essa situação impacta a saúde mental das mulheres, que, segundo a Organização Mundial da Saúde em 2019, estão mais expostas à ansiedade e à depressão quando acumulam múltiplas jornadas. Relações desiguais, como lembra Bell Hooks no livro “Tudo Sobre o Amor: Novas Perspectivas” do ano de 2021, não podem ser confundidas com amor, pois se tornam formas de exploração.

Por outro lado, pesquisas mostram que quando homens dividem de forma equilibrada o trabalho doméstico, a satisfação conjugal aumenta, ambos têm mais tempo para realizarem algo juntos, para o lazer e para si. Isso exige romper com padrões de gênero aprendidos socialmente, como explica Judith Butler no livro “Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade” de 1999, para reinventar práticas mais igualitárias e justas dentro das relações. 

Foi tema do ENEM:

Portanto, não se trata de negar o cuidado e nem de uma suposta guerra entre os sexos, mas de transformar o amor em parceria, e não na maternagem do parceiro, sob pena de o desejo de ambos também ficar comprometido.Ela, muitas vezes, pela sobrecarga, cansaço, sentimento de desvalorização e desapontamento cotidiano. Ele por vê-la como a autoridade chata que lhe chama atenção com constância.

Afinal de contas, boa parte de nossos esposos e filhos em idade suficiente possui braços e mãos, e nenhuma mulher ou família deve ser sobrecarregada! E por isso, eu meto a colher!

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