
A cirurgia estética genital feminina abrange procedimentos como labioplastia, redução do capuz do clitóris, aumento dos lábios maiores, vaginoplastia e técnicas a laser, realizados por motivos estéticos em mulheres sem alterações anatômicas ou funcionais. Nos últimos anos, a demanda por essas cirurgias cresceu significativamente, impulsionada principalmente por fatores como maior exposição à mídia, remoção de pelos pubianos e padrões estéticos idealizados.
Em 2013, o Royal College of Obstetricians and Gynecologists (RCOG) e o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) destacaram a importância de informar as mulheres sobre as variações anatômicas normais e alertaram contra propagandas que induzem à ideia de que a cirurgia é necessária para alcançar uma aparência “normal”. Não é recomendado de acordo com as diretrizes internacionais oferecer ilusões como “rejuvenescimento vaginal”. O que importa é avaliar se a queixa da paciente não é uma ilusão, e sim algo que realmente a leva a sofrimento.
Entre os pontos fortes das publicações, Diretrizes da Society of Obstetrics and Gynecology of Canada (SOGC) e da International Federation of Gynecology and Obstetrics (FIGO) reforçaram que não há comprovação de benefícios para imagem corporal ou função sexual. A FIGO estabelece critérios éticos para esses procedimentos, como validação científica, minimização de riscos e consentimento da paciente.

Respeitar a autonomia da paciente é essencial, mas decisões sobre cirurgias genitais estéticas devem ser tomadas com informação clara. Avaliar alterações de função como desconforto, dores, contrangimentos, sintomas depressivos em relação à a anatomia da paciente faz toda a diferença. Alertar para riscos de comparações como influências de padrões irreais impostos pela mídia. É fundamental diferenciar cirurgias reconstrutivas de intervenções puramente estéticas e avaliar riscos físicos e psicológicos, incluindo condições como transtorno dismórfico corporal, que exigem suporte em saúde mental.
Em suma, recomenda-se aconselhamento adequado, educação sobre a diversidade anatômica normal e avaliação individualizada. O marketing deve ser transparente e não induzir falsas expectativas e o(a) profissional que realizar a cirurgia deve ser especialista.
A estética genital feminina não é sobre padrões, é sobre conforto, autoestima e o direito de a mulher sentir-se bem em seu próprio corpo.
Fonte: Lourdes, C. et al.Int J Gynecol Obstet. 2025; 170: 11-14. FIGO statement: Cosmetic genital surgery
Dra. Gisele Vissoci Marquini
CRM 34170 MG RQE 19701
Ginecologia/ Uroginecologia/ Cirurgia Vaginal

