
Fonte imagem: SETCESP (2026).
O mais recente relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, divulgado nesta quinta-feira (26), traz um diagnóstico contundente sobre as contas externas brasileiras e uma estratégia clara para reforçar o caixa da União: a elevação do imposto de importação sobre 1.200 itens. A medida, que pode gerar uma receita adicional de até R$20 bilhões, não é apenas um movimento arrecadatório, mas uma resposta direta a um desequilíbrio estrutural no saldo da balança comercial para Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e de Telecomunicações (BIT).
O Nó dos Bens de Capital e Tecnologia
De acordo com o órgão, o principal motor para a mudança nas alíquotas é o déficit crescente observado em setores estratégicos. O relatório aponta que o déficit na Balança Comercial (Exportação – Importação) de Bens de Capital (máquinas e equipamentos) e Bens de Informática e Telecomunicações tornou-se um vetor crítico de pressão fiscal.
Ao elevar os impostos nesses 1.200 itens, o governo busca, na visão da IFI, desestimular a dependência excessiva de tecnologias estrangeiras e tentar equilibrar uma balança que hoje pende severamente para as importações de alto valor agregado. É uma tentativa de encarecer o produto externo para dar fôlego à indústria nacional, ao mesmo tempo em que garante uma fatia bilionária para o cumprimento das metas fiscais.
2026: Estabilidade no horizonte
Apesar do aperto na tributação de importados, o relatório traz um alento para o ambiente de negócios. A IFI projeta um ano de 2026 livre de turbulências econômicas radicais. Mesmo sendo um ano de sucessão presidencial, a instituição prevê a ausência de medidas econômicas disruptivas ou “choques” populistas, indicando que as âncoras fiscais e a condução política devem manter o país em uma rota de previsibilidade.
O desafio da modernização
No entanto, o otimismo arrecadatório da IFI esbarra em uma preocupação latente no setor industrial: o custo da inovação. Ao elevar as barreiras tarifárias para 1.200 itens, incluindo componentes vitais de informática e bens de capital, o governo corre o risco de encarecer a modernização do parque fabril nacional.
Resta o questionamento: até que ponto o ganho fiscal de R$ 20 bilhões compensa o risco de desestimular a importação de máquinas de última geração? Se o acesso a tecnologias de ponta ficar mais caro, a tentativa de equilibrar a balança comercial hoje pode acabar comprometendo a produtividade e a competitividade do Brasil amanhã.

