
Fonte imagem: Camargos (2025).
Considerado o motor do PIB e do emprego, o setor de serviços enfrenta a maior transição de sua história, entre o medo do aumento de carga e a promessa do Cashback.
Se a indústria comemora o fim da cumulatividade, o setor de serviços — que engloba de academias a gigantes do streaming — observa 2026 com cautela. O nó central é a alíquota unificada, que deve orbitar os 26,5%. Serviços que hoje pagam um ISS baixo (entre 2% e 5%) sentirão a pressão, mas a reforma trouxe mecanismos de amortecimento.
Diferenciação e Créditos
Para evitar um colapso em setores sensíveis, o governo instituiu regimes diferenciados. Educação, saúde, transporte público e dispositivos de acessibilidade terão uma redução de 60% na alíquota padrão. Além disso, profissões regulamentadas (como advogados, engenheiros e contadores) garantiram uma redução de 30%. O segredo para as empresas de serviços será aprender a utilizar os créditos tributários de insumos — como luz, aluguel e tecnologia — que antes eram custo puro e agora abatem o imposto final.
Cashback:
Tecnologia a Serviço da Equidade A maior inovação social, porém, é o Cashback Tributário. Através do CPF na nota, famílias inscritas no Cadastro Único terão a devolução de parte dos impostos pagos em contas de energia, saneamento e gás de cozinha. Estima-se que 94 milhões de brasileiros sejam beneficiados. É uma mudança de paradigma: em vez de dar isenção generalizada, o Estado tributa e devolve o dinheiro diretamente para quem mais precisa. Para a classe média, o desafio será a adaptação de preços; para o país, o ganho será a formalização e a eficiência econômica.
Período de transição
O período de transição da Reforma Tributária é um processo gradual desenhado para durar 8 anos, iniciando-se em 2026 e estendendo-se até o final de 2033. A partir de 1º de janeiro de 2033, o sistema antigo será totalmente extinto, e o IVA Dual (IBS e CBS) passará a ser o único modelo vigente no Brasil.
A transição foi dividida em três fases principais para evitar choques na arrecadação e nos preços:
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2026 (Fase de Teste): Introdução das alíquotas simbólicas (0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS) para testar os sistemas e a arrecadação.
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2027 a 2028 (Unificação Federal): O PIS e a Cofins são extintos, e a CBS (imposto federal) assume sua forma definitiva. O IPI também é reduzido a zero, exceto para produtos que concorrem com a Zona Franca de Manaus.
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2029 a 2032 (Transição dos Estados e Municípios): O ICMS e o ISS começam a ser reduzidos gradualmente (na proporção de 1/10 por ano), enquanto o IBS (imposto estadual/municipal) sobe na mesma medida para compensar a queda.

