
Mais de 100 cursos de medicina no Brasil tiveram desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, de acordo com balanço divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC). Ao todo, 107 graduações ficaram abaixo das faixas consideradas satisfatórias, o que representa cerca de 30% dos cursos avaliados no país.
Nesta edição, o Enamed avaliou 351 cursos de medicina vinculados ao Sistema Federal de Ensino, que reúne instituições públicas federais, privadas e também instituições públicas estaduais, distritais e municipais, supervisionadas por conselhos ou secretarias estaduais de Educação. Do total, 24 cursos receberam conceito 1 e outros 83 ficaram com conceito 2. Apenas um curso foi classificado como “sem conceito”, por ter menos de dez alunos participantes.
Dos 107 cursos reprovados, 99 estarão sujeitos a penalidades, uma vez que as instituições estaduais e municipais não são diretamente geridas pelo MEC. As medidas de intervenção variam conforme a nota obtida no exame. Cursos com conceito 2 ficam impedidos de ampliar o número de vagas e têm suspensa a possibilidade de firmar novos contratos por meio de programas federais, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (Prouni).
Entre os cursos com pior desempenho, oito estão proibidos de receber novas matrículas, 13 terão de reduzir pela metade o número de vagas e 33 deverão diminuir a oferta em 25%. Outros 45 cursos não poderão ampliar vagas, mas não sofrerão reduções imediatas. Todos os cursos penalizados ficam suspensos de programas federais de financiamento estudantil.
Os resultados foram apresentados pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante um encontro com a imprensa realizado no Ministério da Educação, em Brasília. Segundo o governo federal, o objetivo do Enamed é avaliar a qualidade da formação médica no país e orientar políticas de supervisão e melhoria do ensino superior na área da saúde.
Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) manifestou “profunda preocupação” com a condução do exame pelo MEC e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), criticando o caráter punitivo das medidas já na primeira edição da avaliação.

