Campanha convoca sociedade para pacto por Paz, Equilíbrio e Saúde Mental

O Brasil inicia 2026 imerso na maior crise de saúde mental já registrada no país. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam o Brasil como o país mais ansioso do mundo, o segundo mais deprimido das Américas e o quarto mais estressado do planeta. Segundo levantamento global da Ipsos, 52% da população brasileira considera a saúde mental o principal problema de saúde do país.
O cenário é alarmante. O Brasil apresenta a maior prevalência de depressão da América Latina, de acordo com o Ministério da Saúde. Estimativas do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) indicam que mais de 70% das pessoas com depressão não recebem nenhum tipo de tratamento, mesmo quando necessitam. Já dados do SmartLab, Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (2025) mostram que apenas 46% dos municípios brasileiros possuem políticas ou programas estruturados de atendimento em saúde mental, o que amplia a exclusão e a dificuldade de acesso ao cuidado.
No mundo do trabalho, os impactos são cada vez mais visíveis. Segundo o Ministério da Previdência Social, 440 mil afastamentos por transtornos mentais foram registrados em 2024, o maior número em pelo menos dez anos. Em São Paulo, levantamento divulgado pelo G1, com base em dados da Secretaria Estadual da Educação, aponta que 25.699 professores da rede estadual foram afastados por transtornos mentais e comportamentais entre janeiro e setembro de 2025, evidenciando o adoecimento de profissionais essenciais.
É nesse contexto que a Campanha Janeiro Branco 2026 chega com sua maior mobilização até hoje, convocando o país para um pacto coletivo por Paz, Equilíbrio e Saúde Mental.
Para Gabriela Oliveira, mobilizadora e membro da diretoria do Instituto de Desenvolvimento Humano Janeiro Branco (IDHJB), o momento exige ação imediata e responsabilidade coletiva:
“A saúde mental deixou de ser uma questão individual. Hoje ela impacta diretamente a economia, o trabalho, a educação, as famílias e o futuro do país. Ignorar esse cenário significa normalizar o sofrimento e aceitar o adoecimento como parte da rotina.”
O post-it como símbolo do cuidado em 2026
A identidade visual do Janeiro Branco 2026 adota o post-it como símbolo central da campanha. Tradicionalmente associado à pressa, cobranças e prazos, o objeto é ressignificado como um lembrete de pausa, autocuidado e consciência emocional.
“O post-it representa aquilo que não pode mais ser esquecido: respirar, respeitar limites, pedir ajuda e cuidar da própria saúde mental. É um símbolo simples, acessível e profundamente conectado à vida real das pessoas”, explica Gabriela.
A proposta é transformar o cotidiano em casa, nas escolas, empresas, serviços públicos e espaços urbanos em territórios de lembrança e cuidado emocional, promovendo reflexões individuais e coletivas ao longo do mês de janeiro e durante todo o ano.
Saúde mental também é pauta legal e institucional
A urgência do tema se amplia com a entrada em vigor, a partir de maio de 2026, da atualização da NR-1, que determina que empresas brasileiras passem a ser auditadas quanto à avaliação e prevenção de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
“A saúde mental passa a ser, oficialmente, uma exigência legal, econômica e social. Cuidar das pessoas não é mais opcional, é estratégico”, reforça a diretora.
Por que falar sobre isso agora
Janeiro é o único mês em que o país, simbolicamente, desacelera, reorganiza prioridades e se mostra mais aberto a reflexões profundas sobre qualidade de vida, bem-estar e sentido de existir. É a “folha em branco” do calendário e da vida emocional.
A Campanha Janeiro Branco existe para ocupar esse espaço coletivo e falar ao imaginário social sobre saúde mental, prevenção do sofrimento psíquico, autocuidado, responsabilidade institucional e políticas públicas.
Sobre o Janeiro Branco
Criada em 2014, a Campanha Janeiro Branco tornou-se o maior movimento social de promoção da saúde mental do Brasil e do mundo. Reconhecida por lei municipal, estadual e federal, mobiliza profissionais, instituições públicas e privadas e milhares de cidadãos em ações educativas, preventivas e comunitárias.
A coordenação nacional é do Instituto de Desenvolvimento Humano Janeiro Branco (IDHJB), organização da sociedade civil dedicada à promoção da saúde mental e à construção de uma cultura de cuidado emocional no país.

