A incontinência urinária e a constipação intestinal são caracterizadas por um conjunto de sintomas que representam alterações nas funções dos sistemas geniturinário e digestivo, respectivamente.
Estudo recente publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, apontou que existe uma associação entre constipação intestinal e mulheres com incontinência urinária. De acordo com o estudo, as participantes tinham idade aproximada de 62 anos e a constipação intestinal foi identificada em 80,2% das pacientes.
A atividade física emergiu como um fator de proteção contra constipação intestinal, embora apenas 22,5% das participantes relataram prática regular de exercícios.
O motivo dessa associação seria porque estímulos anormais e forçados dos órgãos pélvicos, como distensão retal causada pela constipação, podem comprimir a bexiga devido à proximidade anatômica e à inervação compartilhada, resultando em urgência urinária, dificuldades de esvaziamento da urina e alterações nas contrações do músculo de continência da bexiga, permitindo a perda de urina de forma involuntária, ou sem querer.
O estudo concluiu que a alta frequência de constipação funcional em mulheres com incontinência urinária destaca um impacto significativo na qualidade de vida.
Ressalta ainda a importância de estratégias terapêuticas integradas e conservadoras, incluindo intervenções precoces no estilo de vida, como a prática regular de atividade física, para prevenir o agravamento de ambas as condições.
Com tratamento adequado e mudanças simples no dia a dia, é possível recuperar o conforto, a confiança e a qualidade de vida.
Dra. Gisele Vissoci Marquini
CRM 34170 RQE 19701
Ginecologia/ Uroginecologia/Cirurgia Vaginal
Fonte do texto: Thomé BI, Scharan KO, Assis GM, Moser AD. Unraveling the frequency of intestinal constipation in woman with urinary incontinence: a descriptive observational study. Rev Bras Ginecol Obstet. 2025;47:e-rbgo42.
Fonte imagens: google domínio público