Nova Nota Fiscal entra em fase de testes e inaugura etapa decisiva da Reforma Tributária

Desde o dia 1º de julho, o Brasil iniciou oficialmente a fase de testes da nova Nota Fiscal Eletrônica, considerada um dos principais avanços práticos da Reforma Tributária aprovada em 2023. O novo modelo, que unificará a NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) e a NFC-e (Nota Fiscal do Consumidor Eletrônica), representa um passo decisivo rumo à simplificação tributária e à transição para os novos tributos IBS, CBS e IS, que substituirão gradualmente os atuais impostos até 2033.

A mudança mais significativa está no layout das notas fiscais, que passará a exigir o detalhamento por item de informações como alíquotas, devoluções, regimes especiais e operações específicas. Para a advogada tributarista Larissa Milk, especialista em recuperação e passivo tributário, a padronização nacional deve reduzir a burocracia e corrigir falhas recorrentes. “A uniformização dos campos e critérios de preenchimento vai melhorar o controle, reduzir penalidades indevidas e facilitar a gestão fiscal, especialmente para empresas com atuação em mais de um estado”, explica.

Atualmente, cada unidade da federação possui sistemas próprios de autorização e regras específicas, o que gera insegurança jurídica, inconsistências e retrabalho para empresas. O novo modelo busca resolver esse cenário, criando uma linguagem única e integrável em todo o país. A expectativa é que a adoção plena contribua para mais eficiência na arrecadação e mais previsibilidade para o setor produtivo.

A obrigatoriedade da nova nota fiscal está prevista para janeiro de 2026, mas o sistema estará disponível em ambiente de produção a partir de outubro de 2025. A partir do momento em que o novo modelo se tornar compulsório, empresas que não estiverem com seus sistemas adaptados poderão ter notas rejeitadas, o que afeta diretamente a operação, o faturamento e o fluxo de caixa. “Negócios que não se adequarem a tempo correm o risco de ficarem paralisados. Isso pode causar atrasos logísticos, perdas comerciais e implicações legais sérias”, alerta Larissa.

Além da obrigatoriedade técnica, as empresas precisarão garantir o correto preenchimento das informações, já que campos ausentes ou tributos fora dos padrões poderão resultar na rejeição da nota, mesmo no novo modelo. Por isso, a recomendação é clara: aproveitar o período de transição ao longo de 2025 para realizar testes, capacitar equipes e atualizar sistemas internos.

Segundo Larissa Milk, as empresas que se anteciparem à obrigatoriedade estarão em posição privilegiada quando o novo formato entrar em vigor. “Essa é a hora de agir com planejamento. A fase de testes não é apenas uma opção, mas uma oportunidade para identificar gargalos, alinhar processos e garantir uma transição tranquila”, conclui.

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