O mercado imobiliário brasileiro encerrou o ano de 2024 com resultados expressivos, mesmo em meio a um ambiente global instável. Segundo dados do setor, os lançamentos cresceram 18,6%, totalizando 383.483 novas unidades em 221 cidades, enquanto o Valor Geral de Lançamentos (VGL) teve alta de 20,72%. O programa Minha Casa Minha Vida foi o principal destaque do período, com aumento de 43,5% no número de empreendimentos lançados, confirmando o papel central da habitação popular na sustentação do mercado.
Para o especialista em mercado imobiliário e CEO do CIMI360, Heitor Kuser, os números refletem a solidez do setor e a criatividade das empresas em driblar obstáculos econômicos e operacionais. “Temos um déficit habitacional estrutural que sustenta a demanda, independentemente do cenário macroeconômico. O imóvel ainda é visto como um ativo seguro, e isso impulsiona a busca por novas moradias. O setor também vem apostando em inovação para manter a atratividade, mesmo diante das incertezas”, avalia.
Apesar do desempenho positivo, Kuser chama atenção para a sinalização feita pelo presidente Donald Trump, de que poderá elevar as tarifas de importação para até 50% sobre produtos brasileiros. A medida, embora não afete diretamente o segmento residencial no curto prazo, gera preocupação no mercado corporativo e entre investidores institucionais, que têm papel relevante no financiamento de grandes empreendimentos no Brasil.
“O impacto imediato sobre o consumidor final pode ser limitado, mas essa mudança no ambiente internacional abala a confiança dos grandes fundos, reduz o apetite por projetos de maior escala e interfere nas estratégias de médio e longo prazo”, afirma o especialista. Ele lembra que esses investidores são fundamentais para a sustentação do ciclo de crescimento no segmento de imóveis comerciais, corporativos e de infraestrutura.
Diante do cenário, incorporadoras têm redobrado esforços em busca de soluções criativas e sustentáveis. Entre as estratégias mais adotadas estão o uso de tecnologias construtivas para reduzir custos, a priorização de insumos e mão de obra nacionais e o foco em nichos com alta liquidez, como os imóveis compactos e os empreendimentos com apelo ambiental e de eficiência energética.
Para Heitor Kuser, embora o mercado brasileiro tenha se mostrado resiliente até aqui, é fundamental manter atenção ao contexto internacional. “Essa possível taxação imposta pelos Estados Unidos pode desencadear uma série de reações no sistema financeiro e produtivo global. O setor imobiliário precisa estar preparado, com planejamento robusto e valorizando os diferenciais locais para sustentar o crescimento com segurança nos próximos anos”, conclui.