Financiamento de imóveis usados pelo Minha Casa Minha Vida triplica e revela nova dinâmica no mercado habitacional

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) registrou um avanço expressivo na compra de imóveis usados nos últimos dois anos. Desde que passou a permitir oficialmente o financiamento de unidades já construídas para todas as faixas de renda, em 2023, a modalidade se consolidou como uma alternativa relevante no cenário habitacional. Foram 42 mil imóveis usados financiados em 2022, número que saltou para 120 mil em 2023 e chegou a 155 mil em 2024, segundo dados do setor.

O movimento não ameaça o mercado de lançamentos, mas evidencia uma mudança significativa no perfil de consumo e nas dinâmicas do setor. Para o escritor e especialista em mercado imobiliário Daniel Claudino, o avanço não está apenas ligado à ampliação do público-alvo ou ao aumento do teto de financiamento, mas sim a uma adaptação do programa à realidade do mercado. “A formalização da possibilidade de adquirir imóveis usados em todas as faixas do MCMV, em fevereiro de 2023, foi decisiva. Com a redução no número de lançamentos vinculados ao programa, os usados passaram a suprir uma demanda imediata, especialmente em áreas urbanas já consolidadas”, afirma.

A mudança traz impactos positivos para diversas frentes. O financiamento de imóveis prontos favorece famílias que antes só conseguiam adquirir unidades em regiões mais afastadas e também movimenta setores como corretagem, cartórios, pequenas reformas e serviços urbanos. Para o especialista Helisson Pelegrini, o imóvel usado oferece vantagens práticas que atendem melhor às urgências do público atendido. “Em muitos casos, a localização já consolidada, a proximidade com escolas e comércios e o fato de não precisar esperar a conclusão de obras tornam a compra do usado uma escolha natural”, avalia.

O crescimento da modalidade, no entanto, não reduz o peso do programa nos lançamentos imobiliários. Em 2024, 47% das vendas de imóveis novos no país foram realizadas por meio do MCMV, reforçando sua importância para a produção habitacional. Segundo Claudino, o que se observa é a flexibilidade do programa diante de um cenário em transformação. “O Minha Casa, Minha Vida se mostra adaptável — não apenas às regras institucionais, mas também às demandas reais da sociedade. O financiamento de usados é uma resposta eficiente a um mercado com menos ofertas de novos empreendimentos e com famílias que precisam de soluções imediatas”, destaca.

Especialistas alertam, no entanto, que o comprador de imóvel usado deve redobrar a atenção com documentação, vistorias e avaliação técnica. Ter apoio de profissionais qualificados é essencial para garantir uma negociação segura e evitar problemas futuros.

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