Projeto garante medida protetiva em casos de violência psicológica

Projeto garante medida protetiva em casos de violência psicológica

Projeto garante medida protetiva em casos de violência psicológica

Segundo jurista, PL para medida protetiva é avanço importante no combate a agressões e feminicídios

Com a aprovação do Projeto de Lei 741/2021, que torna a violência psicológica crime, a Justiça ampara milhares de mulheres brasileiras que vêm sofrendo há anos com uma forma de agressão que até então era negligenciada pelas autoridades policiais e judiciais. “Apesar de a Lei Maria da Penha detalhar o conceito de violência psicológica, ela não era considerada crime. Agora, a modalidade será incluída no Código Penal, impondo uma pena de 6 meses a 2 anos de reclusão”, explica a jurista e mestre em Direito Penal Jacqueline Valles.

Outra medida importante prevista pela proposta é a possibilidade de concessão de medidas protetivas para as vítimas. “Caso o PL seja sancionado, ele permitirá a verificação do risco em que a mulher se encontra. O agressor pode ser imediatamente afastado do lar por uma decisão judicial que será feita em um trâmite muito rápido para que a mulher não continue sendo submetida à violência e não corra o risco de ser vítima de agressões físicas”, completa.

Até hoje, as mulheres encontram dificuldades para registrar o crime nas delegacias, já que a prática não estava prevista no Código Penal. “Durante a pandemia, esse tipo de ocorrência teve um crescimento vertiginoso”, afirma a criminalista.

Pelo texto do projeto aprovado, a violência psicológica se configura quando o agente causa “dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação”. “É uma resposta para todos que têm como método humilhar, manipular, ofender, menosprezar e ridicularizar a mulher”, afirma a criminalista.

Na prática, diz Jacqueline, a mulher não precisará exibir marcas no corpo para comprovar que foi vítima de uma violência. “As delegacias e autoridades policiais terão que lidar com a violência psicológica e entender a extensão dos danos que ela provoca”, conta.

Combate e prevenção

Jacqueline afirma que, apesar de a pena parecer pequena, a lei representa um avanço na luta contra a violência de gênero no Brasil, país que está entre os líderes no ranking de feminicídios. “O feminicídio é precedido por uma série de outros crimes. Muitas vezes os abusos começam com agressões verbais, humilhações e evoluem até chegar nas agressões físicas e, infelizmente, à morte. Quando há mecanismos para coibir a violência psicológica, a lei também contribui para combater as agressões e a morte de mulheres”, avalia a jurista.

Jacqueline ressalta que, apesar de não deixar marcas visíveis no corpo, a violência psicológica causa danos que afetam desde a saúde mental até a saúde física. “Baixa autoestima, estresse, ansiedade e depressão são, segundo psicólogos, alguns dos efeitos que a violência psicológica provoca nas mulheres. E essa situação vinha sendo negligenciada até então”, afirma.

Escalada de violência
Um levantamento feito pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), por meio do projeto on-line Carta de Mulheres, revelou que esse tipo de agressão é uma das formas de violência mais comuns sofridas pela mulher. Entre abril de 2020 e fevereiro de 2021, o Carta de Mulheres recebeu 1.581 solicitações. Desse total, 1.319 casos se referem à violência psicológica. Em muitos casos, a denúncia envolve mais de um crime. Veja o resultado da pesquisa aqui.

Revista Soberana

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