
O escritor e psiquiatra Augusto Cury, que é candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, declarou à Receita Federal um patrimônio de R$ 242 milhões. Além do valor, chama atenção a estrutura utilizada para organizar parte dos recursos.
Segundo as informações divulgadas, cerca de R$ 121 milhões, equivalente à metade do patrimônio declarado, aparecem como um empréstimo realizado por Cury para uma empresa de sua própria estrutura patrimonial.
A operação envolve uma holding, modelo utilizado para concentrar participações societárias, investimentos e outros ativos. Quando o próprio sócio empresta recursos para uma empresa da qual participa, o valor pode ser registrado como um crédito do sócio e uma obrigação da companhia, desde que a operação seja formalizada e declarada de acordo com a legislação.
O patrimônio declarado pelo candidato coloca em evidência a dimensão financeira construída ao longo de sua carreira. Conhecido principalmente pelos livros sobre comportamento, inteligência emocional e desenvolvimento pessoal, Cury também mantém atividades empresariais relacionadas à exploração de sua produção intelectual.
A utilização de holdings é comum em estruturas patrimoniais de maior porte e pode ter diferentes finalidades, como organização de ativos, gestão de participações empresariais e planejamento sucessório. A existência de uma holding ou de empréstimos entre sócio e empresa, por si só, não indica irregularidade.
Como candidato à Presidência, a declaração patrimonial de Cury também ganha relevância no contexto eleitoral. Os bens e direitos informados à Justiça Eleitoral permitem ao eleitor conhecer o patrimônio declarado pelos candidatos no momento do registro de candidatura.
O caso chama atenção não apenas pelo montante de R$ 242 milhões, mas também pela forma como uma parcela significativa dos recursos está estruturada dentro de empresas ligadas ao próprio candidato.

