
O aumento dos distratos de imóveis na planta começa a gerar impactos que vão além da relação entre compradores e incorporadoras. Dados referentes ao primeiro semestre de 2026 mostram que dez incorporadoras de capital aberto registraram R$ 2,167 bilhões em distratos entre janeiro e junho, alta de 27,7% em relação aos R$ 1,697 bilhão registrados no mesmo período de 2025.
O distrato ocorre quando a compra de um imóvel é desfeita antes da conclusão da negociação. Na prática, unidades que já haviam sido comercializadas retornam ao estoque das incorporadoras, que passam novamente a buscar compradores para esses imóveis.
Entre os fatores que ajudam a explicar o aumento estão o endividamento das famílias, a dificuldade de acesso ao crédito imobiliário e as mudanças nos programas habitacionais. O cenário de juros elevados também pesa sobre o comprador. Com a Selic em 14% ao ano, o custo do financiamento bancário permanece elevado, especialmente no momento da entrega das chaves, quando muitos compradores precisam recorrer ao crédito para quitar o saldo devedor.
Impacto chega aos condomínios
Quando um empreendimento é entregue com unidades ainda não comercializadas ou que retornaram ao estoque da incorporadora, o reflexo pode chegar diretamente ao condomínio.
Isso acontece porque as despesas condominiais continuam existindo mesmo quando determinadas unidades estão vazias. A responsabilidade pelo pagamento das cotas referentes às unidades que permanecem sob propriedade da incorporadora é dela, mas a existência de apartamentos desocupados pode afetar a arrecadação prevista e exigir maior atenção à gestão financeira do empreendimento.
Em condomínios novos, nos quais o orçamento é elaborado considerando uma determinada previsão de ocupação e arrecadação, oscilações no número de unidades efetivamente ocupadas podem exigir acompanhamento mais rigoroso das receitas, despesas e do fundo de reserva.
Por isso, a atuação de uma administradora de condomínios especializada ganha importância nesse período. Uma gestão profissional consegue acompanhar a inadimplência, controlar o orçamento, organizar a cobrança das cotas e auxiliar o síndico na tomada de decisões para manter o equilíbrio financeiro do empreendimento.
O aumento dos distratos mostra que a compra de um imóvel na planta produz efeitos que podem se estender por toda a cadeia imobiliária. Para incorporadoras, compradores e condomínios, o cenário reforça a necessidade de planejamento financeiro e de uma gestão capaz de acompanhar as mudanças do mercado.

