Dívida pública brasileira chega a 81,9% do PIB e se aproxima de recorde da pandemia

A dívida pública brasileira chegou a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho de 2026, o equivalente a R$ 10,8 trilhões. O indicador representa uma alta de 10,2 pontos percentuais desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023, quando a dívida correspondia a 71,7% do PIB.

O atual patamar é o maior registrado desde abril de 2021, período marcado pelos efeitos econômicos da pandemia de Covid-19. O índice também se aproxima do recorde histórico de 87,6% do PIB, registrado em outubro de 2020.

Segundo informações publicadas pelo Conexão Política, o economista-chefe da Tullett Prebon Brasil, Fernando Montero, projeta que o governo Lula termine o terceiro mandato com déficit nominal médio de 8,6% do PIB. O resultado seria o maior entre os governos federais das últimas duas décadas, superando os níveis registrados durante as gestões de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.

O déficit nominal considera a diferença entre receitas e despesas do setor público e inclui os gastos com o pagamento de juros da dívida. Dados do Banco Central indicam que, no acumulado de 12 meses até junho, o déficit nominal alcançou 9,99% do PIB.

Projeção de dívida acima de 100% do PIB

A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, estima que a dívida bruta encerre 2026 em 82,5% do PIB. Mantida a atual trajetória, o indicador poderia atingir 100% do PIB em 2032 e chegar a 115% em 2036.

Para o presidente da IFI, Marcus Pestana, o cenário está relacionado principalmente ao crescimento moderado da economia, aos juros elevados e à ausência de poupança pública. Segundo ele, o Brasil deve completar 13 anos consecutivos de déficit primário em 2026.

O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, também considera elevado o déficit nominal próximo de 10% do PIB, inclusive quando comparado aos padrões históricos brasileiros. Ele ressalta, porém, que parte do resultado recente foi influenciada pela antecipação do pagamento de precatórios, medida que provocou aumento temporário das despesas públicas.

A evolução da dívida e do déficit fiscal mantém as contas públicas no centro do debate econômico brasileiro, especialmente diante dos desafios para controlar as despesas, reduzir o custo dos juros e estabelecer uma trajetória sustentável para o endividamento nos próximos anos.

Fonte: Conexão Política

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