IA muda a jornada de compra e cria novo desafio para as empresas

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Chegada da publicidade às ferramentas de inteligência artificial reforça uma transformação no comportamento do consumidor e exige novas estratégias de presença digital.

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Você abre uma ferramenta de inteligência artificial para tirar uma dúvida, comparar produtos ou descobrir qual serviço pode resolver um problema. Em poucos segundos, recebe uma resposta organizada, com opções e caminhos para seguir. Agora, esse ambiente também começa a receber publicidade.

A chegada dos anúncios ao ChatGPT no Brasil é o gancho para uma transformação maior: a inteligência artificial está entrando em uma etapa cada vez mais importante da jornada de consumo, justamente quando o cliente pesquisa, compara e começa a decidir.

Para Vitória Normandia, especialista em marketing digital e estrategista de negócios à frente da Click Conexão, a mudança exige que as empresas parem de pensar apenas em visibilidade e passem a olhar para a forma como são encontradas e avaliadas pelo consumidor.

“A grande mudança não está simplesmente no fato de existir mais um lugar para anunciar. É que a inteligência artificial começa a participar de uma conversa que antes acontecia entre o consumidor, o Google, as redes sociais e as empresas. Ela ajuda a filtrar informações, comparar possibilidades e até construir critérios para uma decisão.”

A diferença pode parecer sutil, mas muda a lógica do marketing.

Se antes o consumidor pesquisava em vários sites para chegar a uma conclusão, agora pode concentrar boa parte dessa investigação em uma conversa com uma IA. Isso significa que a empresa precisa estar preparada não apenas para aparecer, mas para ser considerada.

“Não adianta investir em publicidade se, quando o consumidor procura mais informações sobre aquela empresa, ele encontra um site desatualizado, poucas informações ou uma reputação digital que não transmite confiança. A publicidade pode gerar a descoberta, mas é a presença digital como um todo que ajuda a sustentar a decisão”, explica Vitória.

 

O que as empresas precisam fazer agora?

Para a especialista, o primeiro passo não é necessariamente aumentar o investimento em mídia, mas entender como a própria marca está sendo percebida e encontrada no ambiente digital.

Ela sugere algumas ações:

Pesquisar a própria marca nas ferramentas de IA: entender quais informações aparecem, como a empresa é descrita e quais concorrentes são citados.

Revisar a presença digital: manter site, redes sociais, informações de produtos e serviços e canais de contato atualizados.

Produzir conteúdo que responda às dúvidas do consumidor: explicar, orientar e comparar pode ser mais relevante do que simplesmente publicar propaganda.

Cuidar da reputação: avaliações, comentários e informações disponíveis na internet ajudam a formar a percepção sobre uma empresa.

Testar antes de apostar alto: como a publicidade em IA ainda está chegando ao mercado brasileiro, o momento é de acompanhar o comportamento do público e medir resultados, sem tratar a novidade como uma fórmula pronta de vendas.

“É muito cedo para dizer que a inteligência artificial vai substituir Google, redes sociais ou outros canais. Não é isso. O que está acontecendo é que ganhamos mais uma camada na jornada de decisão. E as empresas que entenderem como o consumidor está usando essa tecnologia terão mais condições de se adaptar”, afirma Vitória.

A novidade também abre uma discussão para o consumidor. Se a inteligência artificial passa a participar cada vez mais das escolhas, cresce a importância de saber fazer boas perguntas, conferir informações e não transformar uma recomendação automática em decisão definitiva.

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