
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), utilizadas também pelo Ministério da Saúde, mostram que cerca de 28% das pessoas idosas sofrem ao menos uma queda por ano. Entre as pessoas com 80 anos ou mais, esse percentual pode chegar a 40%. Apesar de frequentes, as quedas não devem ser encaradas como uma consequência inevitável do envelhecimento e podem ser prevenidas com adaptações nos ambientes domiciliares.
De acordo com a fisioterapeuta, mestre e professora da Una, instituição que integra a Ânima Educação – o maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do Brasil –, Bruna Oliveira, o risco de quedas é multifatorial, ou seja, pode estar relacionado tanto às condições físicas e de saúde da pessoa quanto aos obstáculos presentes no ambiente. O banheiro está entre os espaços que exigem maior atenção. “Algumas adaptações, como a instalação de pisos ou tapetes antiderrapantes e barras de apoio próximas ao vaso sanitário e ao chuveiro, podem evitar escorregões e quedas”, explica.
Outras mudanças simples também ajudam a tornar a residência mais segura. Corrimãos em escadas, rampas de acesso, iluminação adequada e a retirada de tapetes soltos estão entre as principais recomendações. Armários muito altos ou muito baixos também merecem atenção, pois podem levar a pessoa idosa a subir em bancos ou se abaixar excessivamente para alcançar objetos. “A queda é multifatorial. O ambiente não é o único fator de risco, mas precisamos trabalhar a prevenção de forma ampla”, destaca Bruna.
Durante pesquisa desenvolvida em seu mestrado, no município de Bom Despacho, a professora avaliou 203 domicílios de pessoas idosas e identificou diversos fatores ambientais capazes de aumentar o risco de acidentes. Entre os problemas encontrados estavam a ausência de barras de apoio próximas ao chuveiro, a falta de corrimãos nas entradas, iluminação insuficiente, presença de tapetes, desorganização dos ambientes e armários instalados em alturas pouco acessíveis. Os dados reforçam que pequenas adequações podem contribuir diretamente para a segurança dentro de casa.
Prevenção
Além das adaptações no domicílio, os exercícios físicos desempenham papel fundamental na prevenção de quedas. O treinamento pode incluir fortalecimento dos membros inferiores, alongamentos, atividades de equilíbrio, treino de marcha e movimentos funcionais semelhantes aos realizados na rotina, como sentar, levantar, subir escadas e caminhar sobre diferentes superfícies.
“O treino de equilíbrio é muito importante para que, diante de um desequilíbrio no dia a dia, a pessoa consiga se restabelecer, permanecer em pé e evitar a queda”, afirma. O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) também destaca que exercícios voltados ao equilíbrio e à melhora da aptidão física contribuem para reduzir os riscos de quedas. Bruna ressalta, porém, que os exercícios devem ser orientados por um profissional, já que a execução inadequada dos movimentos pode provocar lesões.
“A independência gera mais segurança e melhor qualidade de vida. Quando a pessoa idosa é mais independente, sente-se mais capaz de cuidar de si, tomar decisões e realizar atividades como tomar banho, alimentar-se e ir ao banheiro”, pontua a professora.
O tema também integra a formação dos estudantes do curso de Fisioterapia da Una. Na disciplina de Geriatria e Gerontologia, os futuros fisioterapeutas desenvolvem competências para avaliar, prevenir e reabilitar pessoas idosas, por meio de práticas clínicas supervisionadas, metodologias ativas, projetos de extensão e estágios em clínica-escola, unidades básicas de saúde e ambiente hospitalar. A proposta é formar profissionais preparados para contribuir com um envelhecimento mais seguro, ativo e independente.

