Há alguns anos, um jovem de 17 anos contou à mãe que era gay.
Ele não estava pedindo dinheiro. Não estava pedindo nada além de amor.
Mas a resposta que recebeu foi um silêncio pesado.
Naquela mesma semana, suas roupas foram colocadas em sacos de lixo e deixadas na calçada.
-“Enquanto você insistir nisso, esta não é mais a sua casa”, ouviu.
Naquela noite, ele dormiu na casa de amigos.
Depois em um abrigo. Depois em outro lugar.
Perdeu a convivência da família, abandonou os estudos por um período e passou meses tentando sobreviver.
Anos depois, quando perguntaram qual tinha sido a pior violência que sofreu, ele não falou das humilhações na rua nem das agressões verbais.
Ele respondeu: “A pior dor foi descobrir que o preconceito entrou primeiro dentro da minha casa”.
Histórias como essa não são exceção.Elas acontecem todos os dias.
E é por isso que precisamos conversar sobre respeito, acolhimento e humanidade.
Porque ninguém deveria perder sua família por ser quem é.
E é por isso que faço uma pergunta:
Se Jesus é amor, por que ainda há pessoas sendo expulsas de casa, agredidas e mortas por serem quem são e em nome dele?
Essa é uma pergunta difícil. Mas é uma pergunta que precisa ser feita.
Junho é o Mês do Orgulho LGBT+ e também momento de reflexão.
E muita gente pensa que é apenas um período de festa, bandeiras coloridas e celebrações.
Mas junho é, antes de tudo, um mês de memória, resistência e defesa da vida.
Tudo começou em 1969, quando frequentadores do Bar Stonewall, em Nova York, reagiram à violência policial e ao preconceito. Aquele momento mudou a história e inspirou movimentos por direitos e cidadania em todo o mundo.
Mais de cinquenta e cinco anos depois, houve avanços importantes. Mas a violência continua.
Pessoas LGBT+ ainda sofrem agressões, humilhações, exclusão familiar e, em muitos casos, são assassinadas simplesmente por serem quem são. E aqui está uma contradição que merece nossa atenção.
Pesquisas do projeto Brasil no Espelho, coordenado pelo cientista político Felipe Nunes, mostram que os valores mais importantes para a maioria das brasileiras e dos brasileiros são a família e a religião.
E isso deveria ser motivo de esperança. Porque família deveria significar acolhimento.Religião deveria significar amor ao próximo.
Mas como explicar que tantas pessoas sejam rejeitadas justamente dentro de suas próprias famílias? Como explicar que jovens sejam expulsos de casa? Como explicar agressões, humilhações e mortes motivadas pelo preconceito? Que defesa da família é essa que abandona um filho ou uma filha? Que fé é essa que machuca?
E volto à pergunta do início: Se Jesus é amor, por que ainda há pessoas sendo odiadas por quererem existir com dignidade?
Jesus acolhia. Jesus caminhava ao lado dos excluídos. Jesus enxergava a humanidade das pessoas antes de qualquer rótulo.
Defender direitos humanos não é pedir privilégios. É defender que ninguém seja alvo de violência. Que ninguém viva com medo. Que ninguém seja tratado como menos humano.
Neste Mês do Orgulho LGBT+, independentemente da sua religião, da sua opinião ou da sua história, eu te convido a refletir: o amor que você pratica aproxima ou afasta? A fé que você vive acolhe ou exclui? Porque respeito não tira direitos de ninguém. Respeito salva vidas.
Um jovem contou à família que era gay.
Dias depois, suas roupas estavam na calçada e ele não tinha mais para onde voltar.
Infelizmente, essa história não é única. Tive alunos(as) que se cortavam, que tentaram suicídio simplesmente por não poderem ser quem são! Imagino não haver prisão mais cruel!
Importante, porém insuficiente não ser LGBTfóbica. É preciso ser antiLGBTfóbica.
Como não se solidarizar com empatia e deixar de meter a colher diante do sofrimento humano?

