Conectando Dados e Emoções: O Papel da IA na Medicina e na Psicoterapia.

O uso de inteligência artificial (IA) e IA generativa na medicina levanta questões importantes sobre a natureza do trabalho clínico realizado por profissionais humanos, bem como sobre as limitações e os benefícios dessa tecnologia, incluindo a Psicoterapia.

Artigo recente publicado no LANCET, periódico de alto impacto, revelou apontamentos supreendentes sobre essa associação. De acordo com o artigo, à luz das possibilidades e dos riscos da IA no trabalho clínico e psicoterápico, há necessidade de reexaminar a natureza fundamental do valor terapêutico da interação humana na medicina e discutir alguns equívocos recorrentes sobre a natureza da mente humana inserida na sociedade.

Esse contexto é relevante para o uso clínico da IA. Não se trata apenas de que chatbots de IA atualmente não conseguem captar comunicações não verbais cruciais, mas também de que a interação entre duas mentes humanas distintas é um elemento necessário para o crescimento psicológico. Trata-se também de uma medida de segurança e de uma fonte crucial de supervisão clínica. Estar presente com outro ser humano parece ter impacto no desfecho positico do tratamento.

Em toda a Psicoterapia Clínica, tanto paciente quanto profissional estão inseridos em um contexto interpessoal específico e em um contexto cultural mais amplo. Assim, a natureza dessa situação é ao mesmo tempo altamente individual e, simultaneamente, social, cultural, política e econômica. Em outras palavras, conhecimento, emoção e vida social são inseparáveis. O cuidado e o ato de cuidar são inevitavelmente biopsicossociais e intersubjetivos do ponto de vista humano. Sem um eu afetivo e moral e uma posição social em um mundo local, os chatbots não podem substituir os clínicos, mas acreditamos que a IA pode ser utilizada como um complemento à prática clínica.

Portanto, em um mundo cada vez mais tecnológico, a verdadeira inovação continuará sendo a capacidade de cuidar do ser humano em sua totalidade.
A inteligência artificial pode ampliar nossas possibilidades, mas é a empatia que continua dando sentido ao cuidado.

Dra. Gisele Vissoci Marquini

CRM 34170  RQE 19701

Ginecologia/ Uroginecologia/ Cirurgia Vaginal

Fonte: Adaptado de Gardner C, Kleinman A. The Lancet, V. 407, N, 10542, Pg. 1910-1911, 2026 Medicine, psychotherapy, and artificial intelligence. Imagem: Intramed News, 23/05/2026

 

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