Uberlândia tem cirurgia de catarata veterinária com tecnologia e especialista pioneira

Técnica que já devolveu a visão de animais na cidade e região

Uberlândia é polo regional de saúde ocular em animais e realiza inclusive com cirurgia de catarata. O procedimento, que exige alta especialização e estrutura específica, começou a ser realizado de forma contínua na cidade após a formação de uma oftalmologista veterinária com mais de duas décadas de atuação e treinamentos no Brasil e no exterior.

Até o ano passado, animais da região que necessitavam da cirurgia dependiam da vinda de profissionais de outros estados. Com a capacitação local, o atendimento passa a ser feito de forma regular, ampliando o acesso ao tratamento no Triângulo Mineiro.

A técnica utilizada é a facoemulsificação com implante de lente artificial. O método remove a lente opaca, responsável pela perda de visão, e, na maioria dos casos, a substitui por uma lente intraocular desenvolvida para animais. O equipamento utilizado é o mesmo da medicina humana, com adaptações específicas para a veterinária.

A catarata pode afetar cães, gatos, aves, roedores e coelhos. Em pets, as causas mais comuns incluem predisposição genética, diabetes, traumas e o envelhecimento natural da lente. Quando não tratada, a condição pode levar à perda total da visão e impactar diretamente o comportamento e a saúde do animal.

Além da recuperação visual, o procedimento pode influenciar outros aspectos clínicos. Em animais com diabetes, por exemplo, a perda da visão pode aumentar o estresse e dificultar o controle da glicemia. Com a cirurgia, há redução desse fator, o que contribui para a estabilização do quadro.

Esse foi o caso da Mel, uma Shih-tzu de quatro anos, que veio de Catalão (GO) com histórico de perda de visão havia poucos dias. Segundo a tutora, o animal deixou de brincar, passou a evitar se locomover e apresentava dificuldade para se orientar no ambiente.

Durante a avaliação, foi identificada uma catarata madura nos dois olhos. A investigação clínica também apontou um quadro de resistência insulínica, com evolução para diabetes associada à alimentação. Antes da cirurgia, o tratamento incluiu correção da dieta e manejo clínico do pâncreas. Com a estabilização do quadro, a paciente foi preparada para o procedimento oftalmológico.

De acordo com a Dra Aline Coelho, esse caso reforça a importância do diagnóstico completo e da condução integrada, já que alterações sistêmicas podem estar diretamente relacionadas às doenças oculares. “Casos como o da Mel mostram que o acesso ao atendimento especializado pode alterar o curso da doença, especialmente quando há associação com outras condições clínicas. A possibilidade de diagnóstico preciso e intervenção no tempo adequado amplia as chances de preservação da visão e melhora da resposta ao tratamento”, explica Dra Aline Coelho, oftalmologista veterinária.

Esse procedimento é considerado um dos mais complexos da oftalmologia veterinária e requer não apenas domínio técnico, mas também protocolos rigorosos de segurança anestésica. Com a oferta local, a tendência é que mais animais tenham acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce, reduzindo casos de perda visual definitiva e ampliando as possibilidades de reabilitação.

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