Da UTI à missão de vida: por que a Medicina Integrativa ganha força em um Brasil ansioso

Após sobreviver a uma infecção grave e enfrentar depressão profunda, a farmacêutica Jane Alvarenga transformou a própria história em método de cuidado e explica por que o modelo integrativo cresce diante do avanço da ansiedade no país.

Enquanto 26,8% dos brasileiros já receberam diagnóstico de transtorno de ansiedade e mais de 30% dos jovens entre 18 e 24 anos convivem com o problema, cresce também a busca por um modelo de cuidado que vá além da prescrição imediata. Em meio a esse cenário, a Medicina Integrativa deixa de ser tendência e passa a ocupar espaço concreto na rotina de quem procura respostas mais amplas para o adoecimento.

A farmacêutica clínica Jane Alvarenga conhece esse caminho por dentro. Antes de se tornar especialista em Saúde Funcional Integrativa, ela foi paciente. Aos 50 anos, após uma histerectomia e um procedimento estético complementar, Jane enfrentou uma contaminação bacteriana grave no sítio cirúrgico. A infecção por uma superbactéria a levou a um quadro crítico, com internações prolongadas e coma induzido. Entre os casos notificados com a mesma cepa, a resistência ao tratamento era rara. Ela foi a única sobrevivente daquele grupo.

A recuperação física veio acompanhada de um colapso emocional. Depressão profunda, ansiedade intensa e dependência de múltiplos medicamentos passaram a fazer parte da rotina. “Eu sobrevivi, mas não estava vivendo. Meu corpo tinha resistido, mas minha saúde emocional estava em ruínas”, relembra.

A virada com a Medicina Integrativa

A virada veio com a Medicina Funcional Integrativa. O tratamento incluiu investigação do eixo intestino cérebro, correção de deficiências metabólicas, reorganização do sono, alimentação e rotina. O processo resultou em desprescrição gradual. Hoje, sete anos depois, ela não utiliza medicamentos psiquiátricos.

“Quando tratamos o terreno biológico e não apenas a crise, o organismo responde. O corpo tem capacidade de recuperação, desde que receba as condições adequadas”, afirma.

Um modelo que responde ao Brasil ansioso

Para Jane, o avanço da ansiedade está ligado ao estresse crônico, à alimentação inadequada e ao estilo de vida acelerado. “A Medicina Integrativa não exclui a tradicional. Ela amplia o olhar. Conecta corpo, mente e hábitos para promover equilíbrio real.”

Estudos internacionais indicam que cerca de um terço dos adultos relatam estresse persistente por seis meses ou mais, o que eleva significativamente o risco de depressão e doenças metabólicas. Na prática clínica, o olhar ampliado significa investigação detalhada da rotina, do padrão de sono, da alimentação, do histórico emocional e do ambiente em que o paciente vive. O tratamento deixa de ser padronizado e passa a ser individual.

 

De paciente a referência em dores crônicas

Hoje, aos 61 anos, Jane Alvarenga atua como farmacêutica clínica com foco em dores crônicas, desequilíbrios metabólicos e alta performance. A experiência pessoal se transformou em método de trabalho.

“Eu fui minha primeira paciente. Minha dor virou propósito. Quando alguém chega ao consultório dizendo que já tentou de tudo, eu entendo. Eu estive nesse lugar.”

A proposta não é oferecer soluções milagrosas, mas construir um processo estruturado, com acompanhamento e responsabilidade técnica, integrando recursos como ozonioterapia, ajustes metabólicos e reeducação de hábitos.

Conexões que ampliam impacto

Integrante do BNI Veloz, em Araguari, Jane afirma que o networking estruturado teve papel estratégico na expansão do seu trabalho. Para ela, a rede vai além de geração de negócios.

“O BNI me deu escala. Quando você está em um ecossistema de empresários que valorizam ética, confiança e indicação qualificada, sua mensagem chega mais longe. E quando falamos de saúde, isso significa alcançar mais pessoas que precisam de ajuda.”

Segundo a especialista, o ambiente colaborativo fortalece não apenas a visibilidade profissional, mas a construção de parcerias com médicos, psicólogos e outros profissionais, ampliando o cuidado ao paciente. “Prosperidade e propósito não caminham separados. Quando as conexões são genuínas, o impacto é coletivo.”

Uma resposta prática e humana

 Em um país que convive com níveis alarmantes de ansiedade, histórias como a dela ajudam a explicar por que a Medicina Integrativa deixa de ser alternativa e passa a ocupar espaço central nas discussões sobre saúde e qualidade de vida.

 Ao unir ciência, investigação clínica e mudança de estilo de vida, o modelo propõe algo que tem se tornado raro na rotina acelerada: tempo para escutar, compreender e tratar o indivíduo como um todo.

Jane Alvarenga defende que a maior inovação est´na forma de olhar o paciente. “Cuidar da saúde é reorganizar a vida. Quando o paciente entende isso, o tratamento deixa de ser dependência e passa a ser autonomia.”

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