Nesta sexta-feira (30), o IBGE trouxe uma notícia que redesenha o cenário macroeconômico brasileiro: o desemprego recuou para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro. O dado da PNAD Contínua não é apenas positivo; é o recorde absoluto da série histórica iniciada em 2012. O Brasil encerra o ciclo anual operando no patamar próximo ao “pleno emprego”.

Fonte imagem: G1 (2023).
O Motor da Queda
Essa retração histórica não aconteceu no vácuo. Ela é reflexo de um mercado de trabalho que mostrou uma resiliência surpreendente ao longo de todo o ano anterior, impulsionado por:
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Setor de Serviços: O grande empregador nacional, que se beneficiou da volta definitiva do consumo presencial e do turismo.
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Massa Salarial em Alta: Com mais gente trabalhando, o volume de dinheiro circulando na economia bateu recordes, retroalimentando o comércio.
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Setor Público e Infraestrutura: Investimentos em obras e contratações em áreas essenciais que ajudaram a absorver a mão de obra.
O Outro Lado da Moeda: O Desafio do Banco Central
Embora o número seja motivo de comemoração nas ruas, ele gera um sinal de alerta no Banco Central. Com o mercado de trabalho tão apertado, as empresas precisam oferecer salários maiores para atrair e manter talentos. Esse aumento de renda, se não for acompanhado por um ganho de produtividade, pode pressionar a inflação de serviços, dificultando a queda dos juros no longo prazo.
Estamos vivendo um momento raro: o desemprego nunca esteve tão baixo, mas o custo de vida e a taxa Selic continuam sendo os grandes moderadores desse otimismo. O desafio agora deixa de ser “gerar vagas” e passa a ser “qualificar pessoas” para ocupar postos que exigem maior valor agregado.
Momento de Reflexão
Para você, leitor, que sente essa dinâmica no dia a dia — seja na dificuldade de contratar um serviço especializado ou na maior segurança para trocar de emprego: até que ponto essa taxa recorde reflete uma melhora real na qualidade de vida ou estamos apenas trabalhando mais para dar conta de uma inflação que não cede?
O mercado está aquecido, mas a pergunta que fica é: sua carreira está preparada para a escassez de mão de obra que essa taxa de 5,1% anuncia?

